Um silêncio de Luto

maio 9, 2020

Um silêncio de quintais sem galinhas

De jardins sem roseiras

De tardes sem pipoca e bolinhos de chuva

Sem histórias de muito tempo atrás

Sem radinhos de pilha sintonizados em AM

Sem linhas de tricô e toalhinhas de crochê

Sem superstições e assombrações

Sem álbuns de fotos antigas

Coloridas apenas pelo amarelo dos anos

A tristeza de um mundo sem avós

Memory ou do dia em que fui selecionada em um concurso de poesia

setembro 4, 2019

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“Memory

You need time to listen the silence

To feel the air in your lungs

For the tea to get ready

To forget me”

Tradução: Memória/ Você precisa de tempo para ouvir o silêncio/ Para sentir o ar nos seus pulmões/ Para o chá ficar pronto/ Para me esquecer.

Esse poema de minha autoria ficou entre os 20 selecionados no Raining Poetry in Adelaide (Trad.: Chovendo Poesia em Adelaide). Esse concurso de poesia seleciona poesias que tenham até 4 linhas e um número limitado de caracteres. As poesias selecionadas são pintadas nas calçadas da cidade de Adelaide, na Austrália. A pintura é feita com uma tinta especial que só aparece quando está molhada, por isso o nome do evento é “chovendo poesia”.

Para facilitar a localização um aplicativo com o mapa das poesias fica disponível, e nesse mapa consta também o nome do autor e o título do poema. Quem me contou sobre esse concurso foi o Bernard Guerin, que também teve uma poesia sua selecionada.

Fiquei feliz por ter sido selecionada e poder participar de um evento tão poético, afinal, nada melhor que dias de chuva para ler uma poesia.


Submissão, uma aprendizagem

dezembro 5, 2017
Mulheres tem a incrível habilidade
De ver na agressão
Romance
E desse amor inventado
Tirar forças
Para continuar se doando

Expiação

dezembro 3, 2017

Quando a gente lê poesia

Fica tentado a rimar

Lé com cré

Ré com fé

 

Quando a gente lê poesia

Fica tentado a encontrar

Palavras próprias para expiar

o pecado original da vida


Então é possível escrever desse jeito?

setembro 23, 2017
Lembro da sensação de quando li Cem anos de Solidão do Gabriel García Márquez. A forma como o livro foi escrito provocou a constatação de que era possível de escrever daquela forma. Isso foi em 2004, eu já tinha o blog e a escrita já era uma questão para mim.
Li muito Garcia Márquez nos anos seguintes. Lendo Cheiro de Goiaba, que é uma espécie de biografia em forma de entrevista, me deparei com uma fala sobre o seu percurso como escritor. Ele contava do dia em que leu a Metamorfose do Kafka pela primeira vez, e que logo nas frases iniciais pensou que o livro o tocou como uma revelação de que era possível escrever livros daquele jeito, metafórico e fantasioso que lembrava a maneira com que a sua avó contava histórias. Fiquei impressionada com aquela confissão, afinal o autor que havia me tocado tanto, havia passado por uma experiência parecida quando leu outro autor.
Hoje eu estava assistindo a uma entrevista da Angélica de Freitas, autora do ótimo livro de poesias Um útero é do tamanho de um punho. Nesse vídeo ela conta que aos quinze anos leu o Aos teus pés da Ana Cristina César e naquele momento também pensou: então, é possível escrever desse jeito. Foi muito legal perceber que não foi uma experiência forte apenas para mim, mas que também é compartilhada por tantos autores que admiro.
Conto isso pela alegria de ter passado por esse insight poderoso e libertador na vida de quem escreve.
Conto também por novamente constatar que o impacto da obra depende muito de quem está lendo e de quando se lê. Li a Metamorfose no mesmo verão em que li Cem Anos de Solidão, entretanto apenas o último provocou uma reflexão sobre a escrita. Anos mais tarde também leria A Teus Pés e o insight não se deu com ele.
Outros autores em outros momentos, me fizeram pensar nas possibilidades do escrever.
Depois que comecei a me expressar com palavras, ler livros também se tornou uma forma de descobrir como transcender limites.

Angústia

junho 1, 2017

Ás vezes, espero a morte com uma ponta de esperança de, finalmente, saber o que vai no mundo.

Na maior parte do tempo, aceito a falta de compreensão.  Vivo.


Twitter

março 21, 2015

Uns anos atrás, perdi meu cartão do banco. É uma situação delicada, sobretudo para quem mora sozinha e já não estava passando por seus melhores dias. Fui até uma Agência do banco para acertar isso, e o problema era um pouco mais complicado do que eu imaginava. Contudo, o atendente foi maravilhoso, me ajudou muito. Eu nunca fui tão bem atendida em um banco (e olha que frequento estes lugares desde os 7 anos de idade, quando comecei a fazer serviço de banco para a minha mãe).

Fui até o Twitter e fiz um elogio para o atendente, marcando o perfil do Banco. Ele foi parabenizado pela Agência e parece que ganhou até um bônus (um amigo meu que trabalhava no mesmo banco me contou depois). Uns dias mais tarde, fui até a agência para terminar de resolver o problema e ele ficou emocionado ao me ver, disse que, em anos trabalhando em um Banco, nunca tinha recebido um elogio.

As vezes eu vou até o Twitter elogiar muito.


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