Dando bobeira para a sorte

dezembro 15, 2009

Quando era estudante de psicologia e comecei a atender na clinica inventei a expressão “dando bobeira para a sorte”. Que significa “tente fazer as coisas de um jeito diferente, de um jeito que costuma dar certo para outras pessoas que estão na mesma situação, que assim a chance de você acertar será maior”.

Em geral, clientes quando chegam a clinica estão “dando bobeira para o azar”. Ou seja, eles estão se comportando de forma inapropriada para as situações a que se propõe enfrentar e com isso tem resultados pouco satisfatórios – para não dizer desastrosos.

Na clínica o que os psicólogos da minha abordagem costumam fazer é tentar ensinar os clientes a pararem de “dar bobeira para o azar” e começarem a “dar bobeira para a sorte”.

Contudo, até hoje, esta expressão servia apenas como uma tentativa minha de tornar a terapia mais leve usando uma expressão próxima do cotidiano – e para fazer a minha antiga supervisora de clinica dar algumas risadas.

Eis que descobri que tem alguns psicólogos estudando o porquê de algumas pessoas serem mais sortudas e outras mais azaradas.

Entre eles o psicólogo inglês Richard Wiseman, autor do livro Esquisitologia-A estranha psicologia do cotidiano. Em um trecho do livro é descrito o resultado de uma pesquisa sobre sorte com a seguinte conclusão:

“Resultados como esse revelaram que os voluntários estavam criando muito de sua boa ou má sorte por conta da maneira como pensavam e se comportavam. As pessoas de sorte eram otimistas cheias de energia e predispostas a novas oportunidades e experiências. Por outro lado, os azarados eram mais retraídos, desajeitados, ansiosos em relação à vida e pouco inclinados a aproveitar ao máximo as oportunidades do caminho.”

O que basicamente quer dizer: pessoas sortudas dão bobeira para a sorte, e pessoas azaradas dão bobeira para o azar.

Por isso, meu caro, se é para dar bobeira para alguma coisa, escolha dar bobeira para a sorte.

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Amigos… sempre eles!

setembro 3, 2007

Amigos são pessoas muito, muito importantes. Tão importantes que chega a ser mesquinho tentar falar o porquê eles são importantes. Cada um sabe o porquê de seus amigos serem importantes para si.
Por isso, hoje eu vou falar de apenas um dos motivos pelos quais os amigos podem ser importantes. Aliás, um motivo que talvez seja até um tanto inusitado para alguns: amigos são importantes por serem uma grande fonte de aprendizagem.
Andei lendo textos autobiográficos de alguns escritores, andei vendo e ouvindo algumas entrevistas de músicos e outros artistas, andei observando cientistas e grupos de pesquisas e percebi que nestas atividades que são aparentemente tão diversas existe pelo menos um fator em comum: eles possuíam ou possuem pelo menos um circulo de amigos com quem conversar sobre a sua área de atuação.
Pode parecer um tanto improvável esta minha conclusão, mas tenho algumas hipóteses para explicar porque ela faz sentido:

Amigos são fontes de informação. Eles vão nos falar daquele livro, emprestar aquele CD, nos ensinar aquele macete, apresentar uma nova área…
Amigos podem te ajudar a amadurecer uma idéia. Eles vão dar palpites, ajudar você a por um pezinho na realidade ou a sonhar ainda mais alto. Vão fazer ligações com outros assuntos, sobre os quais, inicialmente, você nem tinha pensando. Vão por tudo por uma nova perspectiva, enriquecendo o seu trabalho.
Amigos nos fazem ter novas idéias. Quando conversamos somos constantemente desafiados a pensar, confrontados com outros argumentos, somos forçados a ter idéias novas. Além do que, já diz o ditado: “duas cabeças pensam melhor que uma”, para quem trabalha com atividades de criação um amigo pode ser tudo!
Amigos nos mantém interessados em certos assuntos. Ler um livro é uma delicia. Ler um livro e ter com quem discutir é sublime! Talvez desistamos antes do fim de algumas tarefa se não temos ninguém com quem falar sobre o assunto. Amigos são ótimos motivadores!
Amigos são guias. Ajudam-nos a não perder tempo com caminhos infrutíferos que talvez tentássemos se não tivéssemos ninguém para avisar que todos que tentaram ir por ali voltaram sem resultado.
Amigos comemoram as vitórias conosco. Sim, é isso mesmo que você leu: comemorar quando os resultados aparecem também faz parte do processo de aprendizagem! E quem melhor do que amigos para isso?

Claro que ter amigos não exime ninguém de estudar, mas torna esta tarefa muito mais prazerosa e frutífera. Também é preciso estar sempre disposto a ouvir e a compartilhar. E evite se fechar em rodinhas específicas: quanto mais gente para conversar sobre coisas diversas, maior a chance de aprender algo!

Agora, pense bem antes de dizer que não vai dar uma passadinha naquela reunião porque vai ficar em casa estudando…

Trackbacks: Alessandro Martins – Memórias de um jornalista das antigas; Márcio Pimenta – Coração de Estudante BlogBlogs.Com.Br


Um abraço

agosto 26, 2007

Tem dias em que tudo que queremos é um abraço. Em especial naqueles momentos em que estamos nos sentido frágeis por um motivo qualquer. Naqueles dias em que os desafios parecem maiores do que as nossas forças, neste dia um abraço é tudo que pedimos. Um abraço na hora certa pode operar um verdadeiro milagre.

Pensando bem, nestes nossos dias, o próprio abraço parece ser um milagre. Não encontro outro motivo para que o vídeo “Free Hugs” tenha feito tanto sucesso e tocado muitas pessoas, inspirando experiências parecidas em outras partes do mundo. Outra ocasião recente e emblemática foi a passagem pelo Brasil da Guru Amma. Esta senhora não fez mais do que distribuir abraços a quem a procurou. E precisa de mais?

Um abraço costuma ser sempre bem-vindo. Contudo, melhor, muito melhor, do que receber abraços de desconhecidos é receber um abraço das pessoas que a gente gosta.

Como é bom ser recebido com um abraço dado com carinho. Como é bom naquele dia de tristeza, de desesperança, quando reclamamos não porque acreditamos que aquela pessoa que nos ouve possa nos ajudar na solução dos nossos problemas, mas porque queremos nos sentir amparados nas nossas angustias. Nesses dias o aconchego de um abraço, no fundo, é tudo que pedimos.

E não é só isso: ninguém abraça sozinho. No abraço há uma troca intensa de afeto. Quem abraça não apenas dá carinho: recebe também. A troca é condição sine qua non do abraço. Ninguém perde, todos saem enriquecidos.

Desamor dói. Por isso hoje eu peço: esteja sempre sensível a um pedido de abraço. Esteja sempre aberto para receber um abraço também…

Da próxima vez que encontrar as pessoas que você gosta, tome a iniciativa, e diga a ela o quanto ela é importante para você desta forma silenciosa e direta.

Abrace e celebre o amor da única forma possível: amando.

Trackbacks: Robson Faggiani – O meu sobrinho faz a coisa mais legal do mundo; Polaco da Barreirinha – Thadeu e Tanka


Homo Sapiens Sapiens

agosto 6, 2007

O nome científico do homem moderno é Homo Sapiens Sapiens. E isso é muito importante por nos lembrar que somos duplamente sábios… e tão idiotas. Muitos Homo Sapiens Sapiens usam sua sapiência para a ambição, para o egoísmo, para fazer valer a “Lei de Gerson”. E, por isso, a vida anda ruim na aldeia. E por isso eu repito junto com Cazuza “Declare guerra a quem finge te amar, declare guerra! A vida anda ruim na aldeia. Chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia!”. Lógico que não estou falando em declarar guerra com fuzis ou agressividade. Declare guerra com atitudes cidadãs. Chega de “passar a mão na cabeça” de empresas que não são ecológica e socialmente responsáveis. Chega de “passar a mão na cabeça” do vizinho que não separa lixo e do amigo que joga lixo na rua. Chega de “passar a mão na cabeça” de quem fura a fila.
Seja cidadão, chega de ser avestruz!
Sejamos sábios, afinal, apenas atitudes cidadãs combinam com a nossa tão sabiamente almejada paz!


Gentileza gera gentileza

julho 30, 2007

Gentileza gera gentileza. Eis uma verdade. Eu sei, parece clichê, parece auto-ajuda, parece simplista.
Todavia, é uma verdade; e as verdades, por mais óbvias que pareçam, às vezes precisam ser ditas.
Gentileza gera gentileza.
E o que é ser gentil? É difícil definir o que é ser gentil, afinal cada pessoa gosta de uma coisa, a cada pessoa uma coisa agrada. Cada um tem uma definição de “gentil”. Contudo, certas características são bastante comuns as pessoas gentis e vou tentar expô-las aqui.
Ser educado é uma delas. “Com licença”, “por favor”, “obrigada”. Uma pessoa gentil sempre usa essas palavras. E mais: pessoas gentis sabem como fazer essas palavras soarem mais do que simples convenção.
Sorrir é outra característica comum das pessoas gentis. De que adianta dizer “com licença”, se a tua expressão está dizendo: “se você não sair da minha frente eu passo por cima”? Sorria, simplesmente porque é bom sorrir. Sorria porque é bom ver outras pessoas sorrindo para você. Ou sorria por simples gentileza – uma hora o sorriso que era apenas um ato gentil, acaba se tornando uma expressão de alegria.
Pessoas gentis não aceitam maus-tratos. Ser gentil não é “engolir sapos” nem “levar desaforo para casa”. Ser gentil é saber que “gentileza gera gentileza” assim como “aspereza gera aspereza”. Se alguém foi áspero contigo, seja gentil com ele, e quebre uma cadeia de agressividade. Ser gentil é saber colocar-se no lugar do outro para encontrar a melhor forma de responder a uma indelicadeza, sem ser indelicado, mas deixando claro que não gosta de ser tratado de tal forma.
Ser gentil é saber expor sentimentos.
Ser gentil é saber elogiar. É descobrir que elogios existem para ser usados. É reparar nas qualidades das pessoas que estão ao nosso redor. É dizer para elas que estamos prestando atenção nos seus pequenos atos, e que as coisas positivas que elas fazem são muito importantes para nós. Assim como devemos dar apoio para que os erros possam ser corrigidos, devemos dar valor para as coisas positivas. Não elogie por elogiar: seja sincero. Entretanto, não fique esperando para fazer um elogio: aprenda a descobrir qualidades.
Ser gentil é mais do que uma característica: é uma atitude perante a vida.

Acredito que todos queremos um “mundo melhor” e quem quer um mundo melhor deve estar consciente de que este mundo é feito por pessoas também “melhores”. Tornar-se uma dessas pessoas é uma boa forma de tornar o mundo melhor hoje.

Você pode achar o meu texto ruim, acreditar que ele está mais para auto-ajuda barata do que qualquer outra coisa.
E eu não discordo de você. Se preferir, esqueça esse texto. Leve desta leitura apenas o título: gentileza gera gentileza.

Ah, e obrigada pela atenção. 🙂


O que é morte?

julho 1, 2007

Morte é o que dá sentido à arte.

É o que dá sentido as religiões, a ciência, a política, ao trabalho.

Morte é o que dá sentido aos filhos e a todos os cuidados que dispensamos a eles, como quem busca a própria imortalidade na longevidade da espécie e no amor que legamos a eles junto com os genes.

Morte é o molde da espécie.

Morte é o que dá sentido as atividades humanas, atividades estas que dão sentido a vida.


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