Ponto de encontro

setembro 23, 2008

Pegava uma carona para fazer um percurso que atravessa a cidade de Manaus, quando meu interlocutor apontou uma aglomeração de pessoas na rua e disse: “Ou é um acidente ou um ponto de ônibus”. Pensei: pode ser apenas um ponto de encontro. Contudo, guardei para mim tal consideração. Intui que era absurdo falar em encontros hoje em dia, quem dirá um ponto somente para eles.
Conhecemos muita gente, poucas nos tocam. E destes poucos encontros verdadeiros, apenas uma infinitesimal parte se repetirá. A vida tem pouquíssimo tempo para encontros, e praticamente nenhum para reencontros.
É considerado insano haver, no meio de uma cidade grande, um lugar apenas para encontros. Desperdício de espaço. Encontros são desnecessários. Melhor utilizar o local e abrir uma lan house para vender minutos de encontros virtuais. Dá mais dinheiro. Dá mais felicidade? Não sei. Não meço qualidade em minutos. Sei do meu gosto por olhos, abraços e conversas demoradas. Sei do meu gosto por pessoas que despertam saudades e vontade de reencontra-las. Gosto de continuar conversas intermináveis apenas pelo prazer da companhia.
Preciso reaprender a distribuir sorrisos para tornar todas as esquinas da minha vida pontos de encontro.


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