Paixões nômades

fevereiro 7, 2010

Recentemente, me apaixonei por uma cidade que já conhecia de outras visitas.

Foi um amor conquistado em um flerte longo baseado em detalhes sensoriais lentamente revelados.

Foi pelos sons: pelo sotaque, pelo barulho organizado das ruas, a música que toca em suas muitas rádios e nos seus becos; o ruído dos meus próprios passos ecoando ao sabor dos sapatos de frio – frio que faz com que o som seja muito mais límpido.

Foi pelas cores das flores nas praças.

Foi pela arquitetura romântica que toma conta das ruas e prédios deixando muito espaço para o verde.

Foi pelo desafio difícil de conquistar amizades novas, que desabrocham encantadoras.

Foi também por ser o endereço de uma antiga paixão, da qual persiste apenas um sabor de amor adolescente que já não nos cabe bem,  transmutada em uma madura admiração.

Foi pelos seus escritores e poetas, geniais e sujos, todos.

Foi pela minha própria solidão, ampliada cada vez que meus pés tocam seu solo.

Foi assim que me apaixonei por outra cidade no meu nômade cotidiano.

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