Poesia Ávida

agosto 3, 2013

Lendo poesia no ônibus: cena clássica na cidade exótica.
Cena rara na cidade exótica.
Sendo exoticamente clássica na cidade ávida.

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A leitura como um ato de amor

maio 14, 2012

Passando uns dias na casa dos meus pais, descobri uma das coisas que eu mais sentia falta morando sozinha (ou mesmo em república): da leitura compartilhada.

Na casa deles existe uma mesinha de centro na sala de estar onde alguns enfeites dividem o espaço com as revistas mais recentes e os livros que estão sendo lidos. Essa sala, contratiando as expectativas, é mais frequentada do que a sala de televisão.

Lá, senta-se para ler a qualquer hora do dia: nos pequenos intervalos, enquanto toma-se chimarrão, depois do almoço, antes de dormir… qualquer hora torna-se uma hora de leitura.

Contudo, não é da sala de leitura que tenho saudades. Tenho saudades da leitura compartilhada. Lá, lemos uns para os outros. Quando nos chama atenção em um texto, logo chamamos alguém para ouvir aquele trecho. Pode ser um pedaço de uma reportagem interessante, pode ser a citação de um livro ou um pequeno poema.

Ao ler em voz alta, queremos que as pessoas que gostamos também sintam o prazer que sentimos ao ler aquelas palavras tão preciosas.

Lógico que nem tudo são flores. Não raro ouvimos alguém falando: “pará de ficar contando as coisas antes, você está estragando a minha leitura!” Para quem exagera nos trechos citados de algum texto de interesse comum.

Assim, assunto também não nos falta. Comentar o que foi ou está sendo lido, debater alguma reportagem, reclamar de algum autor, tudo isso faz parte da rotina da nossa conversa.

Na minha família, ler em voz alta aquilo que gostamos é um carinho a mais. É uma forma de amar, em voz alta, pelas letras.


A vida em um único verbo

abril 26, 2009

Eu leio como quem descobre.

Eu leio como quem procura – e acha – fragmentos de si mesmo:

Uma surpresa escondida no recôndito da frase.

Fragmentos de mim que na releitura se confirmam

e se desfazem.

Eu leio como quem ama.

A vontade desregrada de esmiuçar

de devorar com os olhos,

sempre um novo encanto.

A vontade de só falar disso

só degustar isso

de querer que o mundo também ame isso.

Eu leio como se ler

fosse a única possibilidade da vida.


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