Sobre mudanças

setembro 1, 2009

De todas as mudanças que eu fiz, de tantas, só uma mudança me doeu com a intensidade temida.

Fiquei meses com uma sensação de vazio, estranha, como um estampido no ouvido.

Era uma saudade… talvez. Era algo que estava sendo desfeito, era novamente ter de me construir, ter de testar uma personalidade recém esboçada. Momento enfrentar medos antigos, daqueles que a gente esconde embaixo da cama, mas que sempre aparecem quando se apaga a luz e a mãe vai embora…

Depois fui testada de outras formas pela vida, contudo as mudanças deixaram de ser momentos de grande angustia, para se tornarem necessárias.

Aquela mudança foi crucial para eu ser o que sou hoje.

Para o bem ou para o mal, me tornou mais dura, mais estéril para o intimo e, ao mesmo tempo, mais flexível e fértil para o mundo.

Eu já mudei de cidades pequenas para grandes, e depois de cidades cosmopolitas para vilas. Sempre se aprende. Sempre se adapta.

Descobri que difícil não é se adaptar a nova paisagem e a nova rotina, difícil é encontrar embaixo dos sobretudos aquilo que a Cecília Meireles procurava em suas viagens e que lhe escapava: aquilo que ela chama de alma.

Ou pelo menos uma alma rara, que me faça valer a pena, uma alma que também precise de salvação.


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