Curitibas

agosto 17, 2008

Histórias diversas, caminhos que coincidiram – hoje, vivem juntas. Ambas mantêm uma relação com Curitiba.
Para uma, é a capital desconhecida de seu estado. Desconhecida sim, pois, mesmo visitas esporádicas não quebraram o estranhamento do novo, construída em cima da falta de um laço afetivo. Cidade linda, de uma beleza cuidadosamente planejada que convida para um passeio e incita a um suspiro “poderia viver aqui…”. Cidade dos olhares penetrantes, dos sorrisos contidos, das amizades raras e do sotaque carregado.
Para outra, a sua ex-futura-morada. Cidade das histórias que não acabaram e dos projetos interrompidos. A idéia de Curitiba é inspiração para o seu trabalho e a traz estranha sensação do que deveria ter sido e, simplesmente, não aconteceu. Ignora a sensação de pisar em suas pedras e a conversa de seu povo. Sua arquitetura, contudo, estala na ponta de seus dedos e guia as curvas de seus desenhos.
Curitiba são duas, Curitiba são muitas. São tantas quantos a conhecem: Curitiba é a minha, a nossa, relação com ela. Italo Calvino tivesse pisado nela, também lá encontraria uma cidade invisível.
Para essas duas garotas Curitiba é um ideal distante, embora estranhamente familiar.

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Tenho as mãos frias – e ainda nem morri.

janeiro 27, 2008

Tenho as mãos frias e ainda nem morri.
Ando pelas ruas vestida com um casaco preto em pleno verão. Mesmo de olhos fechados posso sentir, pelo tremelicar da calçada, a velocidade dos carros. Vejo uma mulher varrendo e seu movimento me hipnotiza. Poucos pássaros atravessam meu caminho: neste horário eles vão se alimentar em lugares mais generosos. Presto muita atenção ao que se passa ao meu redor, pois dentro de mim não passa nada – tenho o coração vazio.
É janeiro e a cidade está toda florida, bela, como se fosse primavera. Entre as pétalas, há um filhote de passarinho caído e eu pego para aquecê-lo.
Inútil – tenho as mãos frias.


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