Hexa-catombe¹

julho 2, 2010

 

Acostumamo-nos com finais felizes.

Anos e anos de novelas e comédias románticas: “no final o mocinho sempre vence”. O díficil é descrobrir que não existem mocinhos, ou pior: descobrir que este não é este o teu lado na história.

Ás vezes, alguém perde. Muitas vezes, somos nós que perdemos. Dói, óbvio que dói – óbvio para nós, não para o vencedor.

E as causas…  as causas são várias. Perdemos porque esquecemos de ser nós mesmos. Perdemos por falta de oportunidade, compromisso, vontade.

Perdemos porque em jogos competitivos alguém sempre perde.

Competição implica em vencedores e, necessariamente, em perdedores.

Eu conheço toda a cartilha, já a estudei de frente pra trás, mas, ainda insisto em entrar em competições. Competições que não são minhas, só para, ao final, ficar com esse sabor de ressaca de festa na boca – sem ter tido festa o que é muito pior.

Eu conheço toda a cartilha, sei como termina e sei que passa. Entretanto, entre tantos, isso não impede a dor de latejar.

A gente sabe: é só uma partida; a vida não para e o mundo – uma bola – continua a rodar.

Não importa a razão: racionalmente falando ver a Seleção Brasieira eliminada da Copa do Mundo dói. Dói bem lá onde nós, brasileiros, somos uma grande potência: na vaidade. 

¹ Título retirado do poema Copa de Carlos Alberto Muzilli


No Salão de Beleza

janeiro 30, 2010

Salão de Beleza são lugares do tipo adapte-se ou deixe-os.

Acontece quando, lá pelo  seu terceiro retorno ao mesmo salão, todos se acham no direito de opinar sobre as suas escolas. E não pense que são opiniões amenas. Não! Em geral vem em forma de reclamação ou critica: “essa cor de novo? Porque não pinta com um pink, está super na moda!” ou “o quê? Hoje não vai cortar o cabelo? Pois saiba que se você não cortar hoje, até a terceira geração de teus descendentes poderá ficar careca!”.

Nunca subestime o poder premonitório de um salão.

Lá em Pato Branco tem um barbeiro que demora em cortar os cabelos que lhe são confiados porque para no meio do corte para contar piadas. O salão está sempre lotado de clientes que vão lá só para fazer uma manutenção – não do corte, mas do riso.

Nunca subestime o poder socializador de um salão.

Agora, bom mesmo é acompanhar as mudanças no cardápio feminino de soluções capilares. Para mim as escovas do tipo definitiva – aquelas que não saem quando você molha o cabelo – são um exemplo clássico. Primeiro foi a fase das escovas com nomes que demonstram eficácia: “escova definitiva”, “escova permanente”, etc. Depois vieram as que queriam vender uma imagem de alta-tecnologia-high-tech-última-geração, como as “escova progressiva”, “escova de aminoácidos” e “escova inteligente”. Depois vieram as de cunho culinário: “escova de chocolate”, “escova de açúcar”, “escova de açúcar mascavo” (hein?), “escova de morango” e “escova de arroz”. Por fim – e por “fim” entenda-se até onde eu consegui acompanhar – vieram as escovas de cunho étnico: “escova indiana”, “escova chinesa” e “escova marroquina”.

Nunca subestime o poder criativo-marqueteiro de um salão.

Outro dia, eu estava conversando com duas amigas quando a seguinte conversa se deu:

– Menina, o seu cabelo ficou muito bom! Quanto você pagou por esta escova? – perguntou Dê.

– Gostou? Eu tive que fazer duas e por isso paguei cento e vinte reais. Ainda assim saiu mais barato que os 500 reais que a Cida pagou na dela – respondeu Ju.

– 500? – disse eu, espantada.

– E que escova você fez? – perguntou Dê, que ainda não sei porque estava tão interessada já que nasceu com o cabelo lissíssimo.

– Fiz a Indiana, mas não ficou muito bom, ai eu fiz a Marroquina por cima para acertar. – respondeu Ju.

– E qual foi o tipo de escova a Cida fez? – perguntou Dê.

– A do tipo “cara” – respondi mais que prontamente.

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Crônica inspirada nesta do André Simões.


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