Quando fechas os olhos…

outubro 30, 2007

Quando fechas os olhos e um topor toma conta do teu corpo…

Quando esqueces de ti qual é o sonho que embala o teu sono e te faz acordar feliz? Qual impressão ele deixa nos teus sentidos que te faz mais leve? O que enternece o teu coração quando fechas os olhos?

Por que fechas os olhos para ir à felicidade?

Para a felicidade, por que fechas os olhos?

Feche os olhos: dormir é necessário.

Dormir… talvez, sonhar.


Microcontos III

outubro 22, 2007

Microcontos campeiros

* Estalos na tapera, susto do tropeiro. Noturno, o gato passeia.

* Todo dia, na pausa do mate, Rubio conclui: saudade virou bebida.

* Pedi: “Negrinho do Pastoreio, encontres meu coração!”. Achei-te.

* De cuia na mão, João até sente o Minuano, louco, no centro do Rio.

* Uma milonga apenas e a prenda fugidia volta ao sabor do mate.

* Faca no chão, silêncio no pago: o luto é por Martín Fierro.


MicrocontosII

outubro 16, 2007

Marina Colasanti, escritora e jornalista brasileira, afirmou em uma recente entrevista que são as histórias que determinam qual é o formato que melhor lhes cabe.

Nesse sentido, o formato “microconto” tanto pode concordar quanto discordar com a afirmativa da autora.

Discordância: o formato do microconto não nasceu porque algumas histórias exigiram um novo formato, pelo contrario, um formato foi proposto e a história teria que se encaixar nele.

Concorda: o fato de o formato ter surgido primeiro não quer dizer que não existam histórias que não ficam muito bem nele, como podemos perceber em uma visita ao site A Casa das Mil Portas. Assim, o microconto pode ser encarado como uma nova possibilidade de expressão.

Alias, o próprio site, ao definir o microconto, concorda com esta visão:

“Um microconto é, ao menos na nossa definição, uma história em prosa contada em cinqüenta letras ou menos. Se parece pouco é porque é realmente pouco. Fazer um microconto é um desafio literário, uma tentativa extremamente econômica de contar ou sugerir uma história inteira.”

Particularmente, gosto de ser desafiada pela forma. Considero um ótimo exercício de criatividade, principalmente quando não se está acostumado a inventar histórias. Contudo não acredito que está forma deva ser adotada como única. Longe disso: se a história pedir, ou o desafio chamar, então que seja microconto. Se não for o caso, pode ser um minoconto, um conto, um poema, uma crônica, um romance…

Para encerrar, fui buscar em Jorge Luís Borges uma possível resposta a pergunta que Jonh lançou nos comentários: “Se ler é algo bom, para que escrever tão pouco?”

 

“Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de explanar em quinhentas páginas uma idéia cuja exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que estes livros já existem e apresentar um resumo, um comentário.” Jorge Luís Borges, Ficções.

 


Viver é o que há

outubro 9, 2007

Todos mudamos sempre
somos argila mole sendo moldados pelo tempo e suas vicissitudes.

Viver é o que há de mais improvável.
Viver é o que há.
E tudo que existe está no eterno agora que é a vida.

Há dois dias paira no ar um cheiro de flor.
É a vida convidando a sorver o sabor da Primavera
junto com o calor primeiro.

A vida é um eterno convite.
Você sente este cheiro de primavera?

A vida é um banquete
Seus sentidos estão famintos!
Por que não os sacia?

Shiiii
Sinta a música leve do silêncio
Dance os passos laboriosos do ar

É primavera
Não adie essa fome ancestral que trazes no corpo:
Viver é o único alimento possível


Lágrimas verpertinas

outubro 4, 2007

Preciso escrever
assim, sei lá…
uma coisa qualquer
só para desabafar

 

 

 

No peito carrego o coração
qual carregasse pedra –
carrego nas rimas da canção
qual insinuasse a perda

 

 

 

No sorriso, uma ilusão

 

 

 

… outra manhã
mais um café

 

 

 

Na lágrima, consolação

 

 

 

… vou começar de novo
até.


%d blogueiros gostam disto: