Tenho as mãos frias – e ainda nem morri.

janeiro 27, 2008

Tenho as mãos frias e ainda nem morri.
Ando pelas ruas vestida com um casaco preto em pleno verão. Mesmo de olhos fechados posso sentir, pelo tremelicar da calçada, a velocidade dos carros. Vejo uma mulher varrendo e seu movimento me hipnotiza. Poucos pássaros atravessam meu caminho: neste horário eles vão se alimentar em lugares mais generosos. Presto muita atenção ao que se passa ao meu redor, pois dentro de mim não passa nada – tenho o coração vazio.
É janeiro e a cidade está toda florida, bela, como se fosse primavera. Entre as pétalas, há um filhote de passarinho caído e eu pego para aquecê-lo.
Inútil – tenho as mãos frias.


Das Sinopses

janeiro 21, 2008

Tenho um costume, digamos, peculiar: evito ler sinopses de filmes, livros e peças que quero ver. Normalmente, elas contam detalhes importantes da história tirando boa parte do prazer que seria provocado pela surpresa. Em geral, quando sabemos de algumas partes da história, a surpresa acaba sendo substituída por uma certa ansiedade em saber “quando é que tal coisa vai acontecer, afinal?”. Não parece uma troca vantajosa.

Eu sei que um bom livro é bom não apenas pela sua história, mas pelo modo como ela é construída. De toda forma, continuo a considerar importante o “fator surpresa”.

Um filme delicioso é mais divertido quando somos ingênuos na história.

 

Talvez aconteça o mesmo na vida: ela só se torna realmente interessante quando somos ingênuos na história…


Carta à nossa irrelevancia

janeiro 13, 2008
“As idéias simples são em geral aquelas que causam maior impacto e interesse com um menor esforço. De fato, é fácil saber que a vida é curta. É difícil, porém, abarcar a idéia. Hoje mesmo estava falando com Júlia sobre o fato de eu não saber se de fato a poesia concreta foi mais prejudicial que benéfica para a poesia contemporânea (dado o estado da poesia contemporânea). E depois comecei a rir. Porque lembrei deste vídeo com a escala dos planetas e estrelas. Diante disso, o mais alto problema literário se dilui mais humilde que o mais humilde dos grãos de areia. O que dizer de mim, fazendo uma pergunta irrelevante sobre um movimento literário definitivamente irrelevante enquanto calço irrelevantes meias durante uma manhã de domingo?” Alessandro Martins

Essas tuas reflexões sobre irrelevância são legais para que a gente redimensione as nossas preocupações, responsabilidades… ensina a não levar coisas idiotas a sério. Contudo, isso não significa que a nossa vida não tenha importância. Ela é tudo que temos e somos: nós somos a nossa vida. E a vida é o que fazemos dela – ela não tem um sentido pronto. O sentido da vida pode estar em ler a maior quantidade de livros que conseguimos em um ano, pode estar nos beijos que damos ou nas coisas que aprendemos.

É importante fazer algo com a vida. O quê cabe a cada um descobrir. Mas eu tenho um palpite: fazer o bem aos outros e a nós mesmos – ao lugar onde moramos e as pessoas com quem compartilhamos essa vida.

No fim tudo volta ao pó, viramos novamente moléculas prestes a virar outras coisas, outros animais, plantas, pedras, coco…

Por isso, não interessa se a meia é irrelevante, o domingo é irrelevante e a poesia concreta é irrelevante.

Você compartilhou o pensamento com alguém que é relevante pra ti.
O resto é bobagem.

Um abraço


Resolução de Ano Novo

janeiro 6, 2008

Doem-me todas as coisas que não fiz.

Doem mais as coisas que deixei de fazer por medo.

Sou medrosa. Mas não é que o medo seja algo natural, intrínseco a minha personalidade. Não é, também, que eu seja naturalmente corajosa. Sou é distraída. E desta distração vem uma calma que me encoraja a fazer coisas que só mesmo os desavisados – ou os muito corajosos – são capazes de fazer.

E esse meu medo, de onde vêm? Vem do saber sempre pelo pior lado. Vem do pessimismo alheio, do desincentivo recebido toda vez que conto um sonho. Daí vem o meu medo.

Por outro lado, lembro com carinho de todas as vezes em que ouvi um “tente”, “você consegue”, “experimente”… E se me doem todas as coisas que deixei de fazer por medo, me alegram todas as vezes em que tentei.

 

Por tudo isso, essa é a minha resolução de ano novo:

 

Aprenderei a dizer mais vezes: tente!

 

“É difícil”, “não dá”, “impossível”…

sim, há momento em que estas palavras são necessárias.

Contudo, são a minoria

 

Aprender a dizer mais vezes: vá em frente!

 

Parar de impor barreiras inexistentes

Desistir por medos imaginários

Ser o incentivo, não o abismo

 

Redefinirei palavras como impossível,

Buscarei o Possível, tornando-o nosso vizinho mais próximo.

 

De hoje em diante,

meus ouvidos se tornaram moucos para aqueles que só sabem reclamar

De hoje em diante

multiplicarei as palavras positivas que saem da minha boca…

 

Que de 2008 em diante todos os anos sejam O Ano das Possibilidades.


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