unending meeting

novembro 21, 2010

Marcaram um encontro em um ponto distante da cidade. Imaginaram que seria conveniente a um e a outro. Foi por indicação dele que disse que era “um lugar em que se pode esquecer que estamos nesta cidade”. Cidade do interior, pequena – menor em liberdade de ações e idéias do que em número de habitantes. Na verdade a cidadezinha parecia cheia demais para aqueles dois naquele dia: eles se bastavam.

Foi um encontro feliz. Definitivamente. Falaram de planos e, principalmente, de pessoas. Não, não de pessoas específicas, mas de seus sentimentos e idéias sobre o que a humanidade que os cercava vinha fazendo com seus sentimentos. Estavam alegres e foram andando para casa, um se propôs a fazer compania ao outro sem pressa: os passos tinham o ritmo da conversa.

Por vezes paravam, por vezes trocavam de lingua, por vezes riam… as pessoas olhavam. Era bom simplesmente ser.

Foram andando sem muitas preocupação até que pararam em uma esquina: “eu continuo morando ali” ele disse. “E eu estou hospedade aqui”, ela disse. Eram vizinhos e haviam andando a cidade toda antes de descobrir isso. Riram da coincidencia e do lapso de não terem se perguntado sobre isso antes – tantos outros assuntos e, afinal, para que saber o destino de seus passos antes de se chegar ao fim do caminho?

Tudo bem. A caminhanda, por fim, foi ainda melhor que o café. E naquela esquina se despediram “até o ano que vem”. Porém, suas palavras continuariam ecoando em todas as esquinas de seus corpos. Para sempre.


Olhos vermelhos e outras ausências

novembro 14, 2010

Tão bom receber um carinho inesperado. Uma das muitas zeladoras do local onde trabalho perguntou porque eu estava sumida e complementou dizendo que era uma pena eu não estar por lá na semana anterior, pois acontecera um evento muito bonito e ela sentiu minha falta nele.

Neste mesmo dia, outro senhor que trabalha em uma seção, a qual eu não costumo frequentar, disse: “Lembro do dia em que a senhora chegou aqui, tinha um brilho diferente. Hoje vejo que este brilho está esmaicendo.” Triste ouvir isso.

No dia seguinte me perguntaram se eu havia chorado, estava com os olhos vermelhos. Disse que era conjuntivite. Era bom ter um atestado médico com uma expicação biológica para os meus olhos vermelhos de decepção. 


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