Meninos estão por todas as partes

dezembro 20, 2009

Meninos estão por todas as partes
me julgando com suas verdades
independente da hora

Meninos são meninos
e o que lhes satisfaz
não está disponivel

Sonhos baratos vendidos
em troca do quê
finjo não saber

Meninos são histórias
Sem graça e sem vida
Cheirando cola

Meninos e eu
verdades fluidas
morrendo e matando(-se)

Fingindo, mais que poetas
Vivendo…
Quem finge melhor vive mais


Dando bobeira para a sorte

dezembro 15, 2009

Quando era estudante de psicologia e comecei a atender na clinica inventei a expressão “dando bobeira para a sorte”. Que significa “tente fazer as coisas de um jeito diferente, de um jeito que costuma dar certo para outras pessoas que estão na mesma situação, que assim a chance de você acertar será maior”.

Em geral, clientes quando chegam a clinica estão “dando bobeira para o azar”. Ou seja, eles estão se comportando de forma inapropriada para as situações a que se propõe enfrentar e com isso tem resultados pouco satisfatórios – para não dizer desastrosos.

Na clínica o que os psicólogos da minha abordagem costumam fazer é tentar ensinar os clientes a pararem de “dar bobeira para o azar” e começarem a “dar bobeira para a sorte”.

Contudo, até hoje, esta expressão servia apenas como uma tentativa minha de tornar a terapia mais leve usando uma expressão próxima do cotidiano – e para fazer a minha antiga supervisora de clinica dar algumas risadas.

Eis que descobri que tem alguns psicólogos estudando o porquê de algumas pessoas serem mais sortudas e outras mais azaradas.

Entre eles o psicólogo inglês Richard Wiseman, autor do livro Esquisitologia-A estranha psicologia do cotidiano. Em um trecho do livro é descrito o resultado de uma pesquisa sobre sorte com a seguinte conclusão:

“Resultados como esse revelaram que os voluntários estavam criando muito de sua boa ou má sorte por conta da maneira como pensavam e se comportavam. As pessoas de sorte eram otimistas cheias de energia e predispostas a novas oportunidades e experiências. Por outro lado, os azarados eram mais retraídos, desajeitados, ansiosos em relação à vida e pouco inclinados a aproveitar ao máximo as oportunidades do caminho.”

O que basicamente quer dizer: pessoas sortudas dão bobeira para a sorte, e pessoas azaradas dão bobeira para o azar.

Por isso, meu caro, se é para dar bobeira para alguma coisa, escolha dar bobeira para a sorte.


Porque Comédias Românticas são perigosas

dezembro 7, 2009

Comédias românticas são perigosas. Elas nos fazem acreditar em coisas que não existem.

Ao assistir um filme deste gênero nos submetemos a sermos bombardeados por duas horas de toneladas de casais felizes e apaixonados, famílias harmoniosas, pessoas morando em lugares lindos, vivendo emoções raras como se tomassem café na esquina, topando com oportunidades incríveis de realizar sonhos a cada suspiro e, finalmente, com fantásticos finais felizes.

E é neste instante que percebemos o grau de periculosidade da comédia romântica. Acabado o filme restamos nós e a nossa vida.  Nós e nossa miserável vida.

Por comparação a nossa vida sempre será miserável.

Comédias românticas são lobos em pele de carneiro.

Por isso, sempre que alguém chega para mim reclamando da vida a primeira providencia que eu sugiro é que deixe de ver as perigosas comédias românticas.

Sugiro que passe a ver filme de terror. Sim, filmes de Terror, afinal, é um alivio tamanho, acabado o filme, voltar para as nossas vidas, onde não tem um monstro assassino atrás de cada porta.

Defendo que filmes de terror são infinitamente mais eficientes que qualquer manual de auto-ajuda.

Portanto, cuidado, muito cuidado com as comédias românticas, essas Serial Killers da auto-estima.

 

Ps.: em 2012 saiu uma pesquisa falando exatamente o que este texto que escrevi em 2009 dizia: Comédias-romanticas nos deixam mais tristes. (Fonte: Super Interessante)


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