Língua Afiada

janeiro 25, 2009

Bom gosto
Boas escolhas
Belas Letras
Não estou falando de caligrafia.
Mas poderia.

História
Escolhas
Livre-Arbítrio
Definição para Livre-Arbítrio:
Vontade adolescente de querer mandar em si mesmo.

Caneta
Grafite
Papel
A força não está no material
Está no que (des)construímos com ele.

Inodoro
Incolor
Insípida
Assim é a água, para o todo dia do dia todo.
Não preciso mais do que isso para descobrir o que quero
E criar o que posso.

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A lembrança mais antiga

janeiro 18, 2009

Foi em uma tarde qualquer de 1948, não sei se importa tanto o quando. Às vezes, penso que a vida é um ciclo interminável de repetições, outras, que é um jogo de azar em um infinito dado de probabilidades do qual nunca conheceremos todos os lados. Nestes momentos, penso que uma vida é muito pouco para que tenhamos uma real dimensão do poder do acaso.
Foi naquela tarde, agora tão distante, que inaugurei minha memória. É a minha lembrança mais antiga, lembrança de imagens, texturas, cheiros, cores e vozes. Antes disso, apenas histórias contadas por pais e tios, histórias que hoje também tem seu lugar no meu carregado baú de recordações.
Lembro as sensações da grama pinicando a pele delicada de criança, da sombra das arvores, da mãe chamando quando o Sol não era mais que um suspiro vermelho. Lembro do cheiro da roseira logo ao lado.
Essas lembranças não vieram assim, fragmentadas, mas vieram todas de uma vez, como uma revelação, um susto, e com o tempo fui colocando em pratica a minha mania de organizar, quebrando aquele breve instante em inúmeros nomes, aprendidos bem mais tarde.
Não sei por que lembro desta tarde, mas sei que esse instante vem toda vez que a vida precisa mudar um pouco.
Hoje, uso ela como lastro, como rumo. Faço isso enquanto o acaso joga dado brincando com a minha vida.


Microcontos VI

janeiro 9, 2009

Deitada não pensava na vida. A morte chegou primeiro.

Nunca ouviu mais nada depois de ouvir “eu te amo”.

Felicidade era Elvis cantando Blue Moon… no seu ouvido.

No silêncio, imaginava palavras belas – ele era melhor mudo.


2009, Avó e a mesma pergunta sobre a vida

janeiro 3, 2009

2009 começou de um jeito nostálgico como já a muitos anos começa. Não pelo ano que se encerra, mas por estar na casa da minha Avô, revendo tanta gente, ouvindo tantas vozes familiares, comendo sabores de outro tempo.
Se tem alguém que me emociona, esse alguém é a minha avó. Uma verdadeira matriarca com seus mais de oitenta anos, com voz ativa nas questões da família e da casa. Casa aliás, que é um verdadeiro caldeirão de sentimentos controversos, onde acabo aprendendo um pouco mais sobre humildade e tolerância. Um lugar onde recarrego as energias e reflito um pouco sobre a vida para recomeçar cada ano.
Começo 2009 em um diálogo eterno, olhando para a minha avó, essa mulher que tanto amo e admiro, fazendo para mim mesma a pergunta que gostaria de fazer para ela: após viver tanto tempo o que ela pode ensinar sobre o sentido da vida?


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