Ávida por Poesia

agosto 3, 2013

Poesia a gente lê e continua querendo mais

Poesia não enche

Poesia é magrinha,
poucas palavras,
linha curtinha

A gente lê uma, duas, três…
A gente decora
E continua faminto

Porque poesia não enche

Poesia preenche

E a gente para,
o pensamento imóvel para não desperdiçar nenhuma gota

Poesia é revelação

em pé, no ônibus, livro de poesia na mão

cena clássica no tempo de Drummond

A poesia para o mundo
Na tarde colorida
Dentro de um ônibus
Na cidade exótica

No meio do caminho, tropecei na poesia
E nunca mais esqueci daquela pedra


Poesia Ávida

agosto 3, 2013

Lendo poesia no ônibus: cena clássica na cidade exótica.
Cena rara na cidade exótica.
Sendo exoticamente clássica na cidade ávida.


A vida em um único verbo

abril 26, 2009

Eu leio como quem descobre.

Eu leio como quem procura – e acha – fragmentos de si mesmo:

Uma surpresa escondida no recôndito da frase.

Fragmentos de mim que na releitura se confirmam

e se desfazem.

Eu leio como quem ama.

A vontade desregrada de esmiuçar

de devorar com os olhos,

sempre um novo encanto.

A vontade de só falar disso

só degustar isso

de querer que o mundo também ame isso.

Eu leio como se ler

fosse a única possibilidade da vida.


Náufragos

outubro 21, 2008

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

E meus últimos sonhos

morreram afogados no mesmo naufrágio

que matou a namorada chinesa

de Camões.

* Os três primeiros versos são do poema Tabacaria de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.


Cantando

novembro 4, 2007

Sim,

Sou cantora.

Cantora Amadora.

Mais amadora que cantora,

Mais amadora que amada.

 

Sou a nota, sou o tom

Sou a partitura não tocada:

pura potência.

 

Sou o ritmo

para aquilo que não tem tempo.

Sou dissonante, atonal

um melancólico allegro.

 

Sou emoção

(harmonia?)

entrando pelos seus ouvidos.


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