Todo dia ela faz tudo sempre igual

junho 4, 2010

Viver a rotina, o cotidiano, é uma arte: a arte de se acostumar com o que é real apesar de pouco provável.

Vivo na realidade do supremo absurdo. Se gosto de flores e poesia, a minha profissão é feita de marchas e frias palavras de ordem.
Se gosto do azul e do verde, os transformaram em uniformes para que eu possa me igualar aos outros, sem gosto e sem expressão.
Se gosto de ser assim, me punem até passar a ser assado e, quando assado for, me punem até fritar a motivação, por um motivo qualquer.
Desando a cada ultima forma, pois mudou a cozinheira e o bolo não coube naquela forma. Ontem sorria com doçura, hoje sorrio ainda mais, um riso agressivo de pura histeria.

Thomas Mann disse “A solidão engrena o original, o belo ousado e surpreendente, o poema. Mas engrenda também o inverso, o desmedido, o absurdo e ilícito”. Continuo sozinha, plena de uma solidão que ontem engrenava o poema e hoje engrena o ilícito.

Já fui e já voltei, mas não me pergunte os caminhos. Os que tracei sozinha fizeram sentido, os conhecia bem, suas dores e consequencias. Naqueles em que que fui guiada por senhores não tem rumo certo, eles não conhecem bussulas tampouco mapas.

Hoje me sinto atropelada, perdida, desnorteada. Sinto-me morta. Oca, reberveram em mim infinitos discursos repetitivos.
Não há vida possível neste deserto.

O cotidiano é uma arte, pena que assassinaram o artista.

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Onde mora o teu Papai Noel?

dezembro 21, 2008

O meu Papai Noel mora no inesperado, nas coincidências bem-vindas do acaso.
Meu Papai Noel mora naquilo com o que não me preocupo, mas que mesmo assim está lá trabalhando, construindo, como se fosse um molde de meus atos – dependendo deles, os meus presentes podem ser bons, ruins, interessantes, sem sabor, intensos, coloridos… enfim, constantes: sempre são surpreendentes.
Meu Papai Noel mora na carta já esquecida que encontro perdida em alguma gaveta, no amigo genial que conheci na fila do supermercado, no livro mais querido que, sem procurar, encontrei no canto empoeirado da livraria, da carona bem na hora da chuva, da piada no dia chato, na poesia que veio a boca sem querer quando uma palavra pouco usada me acertou a queima-roupa…
Meu Papai Noel aparece sempre que o telefone toca com uma noticia boa, com o abraço apertado logo pela manhã, com a música mais linda que toca bem na hora em que liguei o rádio…
Meu Papai Noel mora no inesperado.


Fragmentos do cotidiano

abril 28, 2008

– E ai, tudo bem?

– Tudo… quer dizer, eu não estou legal…

– O que aconteceu?

– Ah… eu queria sair hoje, mas não rolou…

– Por isso é bom sempre ter um plano B…

– Você tem um plano B?

– Não… na verdade, não tenho nem um plano A. Alias, o dia que tiver um plano A terei até um plano Z”… Enquanto isso improviso na vida, como no Jazz.


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