4 e(u)stações

outubro 23, 2011

Já pensou em como o clima muda a forma como nos relacionamos com o mundo? Se são quatro as estações do ano, quatro são as diferentes formas que vivemos cada uma delas.

No outono um casaco passa a compor nossa vestimenta e pelas ruas nos pegamos hipnotizados com o movimento ritmado das vassouras que varrem as folhas caídas das árvores.

As árvores se despedem de partes de si ao prepararem para os rigores do inverno. Nós também no depidimos de algumas das nossas caracteristicas expostas na estação anterior e ficamos mais introspectivos, mais caseiros, as palavras ganham outro peso e começamos a falar mais baixo.

O inverno chegou sorateiro na madrugada e seu hálito congelante nos impele a ficar na cama. O abraço fica mais demorado, pois junto é mais quentinho. As rodas de converas migram em busca de sol, e os raros dias ensolarados ganham céu de brigadeiro.

O ar da estação deixa os sons mais limpos. As conversas na cozinha se estendem e ganham em profundidade. Com sorte teremos um fogão a lenha para relembrar histórias de outros tempos reproduzindo a cena ancestral da aldeia em torno da fogueira.

Os laços se estreitam.

Amadurecemos.

Chega a primavera com sua brisa fresca e renovadora. Nós ficamos mais leves sem tana roupa, as janelas se abrem e nelas se penduram cobertores e tapetes, todos querem aproveigtar a dádiva dos generosos raios de sol.

As ruas se enfeitam de flores e a cidade se enche de um bururinho alegre de novidade.

No verão os dias são mais longos, tomamos conta da rua. O riso flui mais solto e nós ficamos abertos para fazer novas amizades. As chuvas convidam para um banho.

Com rouopas leves redescobrimos o próprio corpo, andamos saltitando e o clima convida para dançar. As tardes de calor são tomadas pelo canto das cigarras.

Assim, somos camaleões, e vamos aprendendo a variar. Aprendemos a observar a natureza e esperar o seu tempo. Quando o clima toma conta da nossa vida ela se diversifica e nos tornamos personagens criativos moldados pelo calendário.


Eu preciso de todo o tempo do mundo

junho 11, 2010

Eu não preciso de um tempo, eu preciso de todo o tempo do mundo.

Só assim eu vou conseguir pousar meus olhos sobre o por-do-sol até anoitecer sem a ansiedade me impedindo de ver o dia e a noite.

Eu preciso de todo o tempo do mundo para degustar todos os sabores de um copo d’água.

Eu preciso de tempo – todo do Mundo – para dormir sem despertadores ou a insônia me corroendo os ossos.

Eu preciso de todo o tempo do Mundo para caminhar a beira-mar por todas as praias do planeta, sem pressa – por puro prazer.

Eu preciso de todo o tempo do mundo para convencer a minha amiga, a Loucura, de que todos a adoram e que o quê eles mais querem é ser loucos e, então pegá-la pela mão e sair espalhando paixão por ai.

Eu preciso de todo o tempo do mundo para plantar um girassol e passar os dais a vê-lo adorar o Sol, qual sugeriu Célia Mussili.

Eu preciso de todo o tempo do mundo para ler a infinita biblioteca de probabilidades de Borges e reinventar meus precursores.

Eu tenho todo o tempo do Mundo – Todo homem o tem no agora.

Então, me explica: por que você insiste em querer me dar apenas um tempo?


Relógio bonito para horas imaginárias

maio 25, 2009

Comprei um belo relógio
e o pendurei na parede
Sem as pilhas, é claro,
pois seu tic-tac não me serve de nada
É apenas uma medida inútil do irrefreável
tempo.


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