Enquanto sinto sua falta

maio 4, 2014

Tem dias em que acordo abraçada ao travesseiro sentindo a sua falta. Abro a geladeira e não lembro mais o que queria, porque sinto sua falta. Acabo desistindo de comer pois o vazio que sinto não é fome, é saudade.

Ligo o rádio para que ele disfarce o silêncio que a alegria da sua voz deixou quando foi embora. Termino por desligá-lo visto que as músicas soam tristes e sem sentido quando você não está por perto, cantarolando.

Fecho a porta de casa, tranco-a bem, porque a porta aberta traz esperança, e esperança não ajuda enquanto continuo sentindo sua falta.

Já que não consigo parar de sentir sua falta, pego a saudade pela mão e saio para rua, levo-a ao teatro, ao parque e até companheira de trabalho ela virou. Tenho me comportado bem enquanto sinto sua falta.

Eu sei que vai passar, mas – sabe? – eu queria mesmo era deixar a porta aberta para ver você voltar para me ajudar a matar essa saudade porque a casa é pequena demais para nós duas.

Anúncios

Mais um fim de feriado

junho 2, 2013

É claro que gosto de feriados. Ter um tempo extra para fazer as coisas que gosto ou nada – que também é bom – é o que torna a correria diária possível.
Entretanto, feriados as vezes acabam abrindo horários demais na agenda e, passada a euforia inicial, a saudade chega decidida a ocupar os espaços que lhe nego cotidianamente.
Ontem o Vínicius me mandou uma música que cantava “Do amor é que a dor cria raízes”. Só posso concordar. É por amor que sinto saudade, esta que é uma dor agridoce, mas ainda uma dor.
Adoro feriados, porém eles intensificam a saudade que sinto dos meus pais. E hoje, tudo que eu queria era a casa quase sempre silenciosa, a conversa ao redor da mesa e o chimarrão passando de mão em mão. Tudo que eu queria era o abraço aconchegante e ouvir meus apelidos de infância.
O que eu tenho é a lágrima insistente e o resto do feriado cheio de espaços vazios.


Sobre mudanças

setembro 1, 2009

De todas as mudanças que eu fiz, de tantas, só uma mudança me doeu com a intensidade temida.

Fiquei meses com uma sensação de vazio, estranha, como um estampido no ouvido.

Era uma saudade… talvez. Era algo que estava sendo desfeito, era novamente ter de me construir, ter de testar uma personalidade recém esboçada. Momento enfrentar medos antigos, daqueles que a gente esconde embaixo da cama, mas que sempre aparecem quando se apaga a luz e a mãe vai embora…

Depois fui testada de outras formas pela vida, contudo as mudanças deixaram de ser momentos de grande angustia, para se tornarem necessárias.

Aquela mudança foi crucial para eu ser o que sou hoje.

Para o bem ou para o mal, me tornou mais dura, mais estéril para o intimo e, ao mesmo tempo, mais flexível e fértil para o mundo.

Eu já mudei de cidades pequenas para grandes, e depois de cidades cosmopolitas para vilas. Sempre se aprende. Sempre se adapta.

Descobri que difícil não é se adaptar a nova paisagem e a nova rotina, difícil é encontrar embaixo dos sobretudos aquilo que a Cecília Meireles procurava em suas viagens e que lhe escapava: aquilo que ela chama de alma.

Ou pelo menos uma alma rara, que me faça valer a pena, uma alma que também precise de salvação.


%d blogueiros gostam disto: