Mais um fim de feriado

junho 2, 2013

É claro que gosto de feriados. Ter um tempo extra para fazer as coisas que gosto ou nada – que também é bom – é o que torna a correria diária possível.
Entretanto, feriados as vezes acabam abrindo horários demais na agenda e, passada a euforia inicial, a saudade chega decidida a ocupar os espaços que lhe nego cotidianamente.
Ontem o Vínicius me mandou uma música que cantava “Do amor é que a dor cria raízes”. Só posso concordar. É por amor que sinto saudade, esta que é uma dor agridoce, mas ainda uma dor.
Adoro feriados, porém eles intensificam a saudade que sinto dos meus pais. E hoje, tudo que eu queria era a casa quase sempre silenciosa, a conversa ao redor da mesa e o chimarrão passando de mão em mão. Tudo que eu queria era o abraço aconchegante e ouvir meus apelidos de infância.
O que eu tenho é a lágrima insistente e o resto do feriado cheio de espaços vazios.


A leitura como um ato de amor

maio 14, 2012

Passando uns dias na casa dos meus pais, descobri uma das coisas que eu mais sentia falta morando sozinha (ou mesmo em república): da leitura compartilhada.

Na casa deles existe uma mesinha de centro na sala de estar onde alguns enfeites dividem o espaço com as revistas mais recentes e os livros que estão sendo lidos. Essa sala, contratiando as expectativas, é mais frequentada do que a sala de televisão.

Lá, senta-se para ler a qualquer hora do dia: nos pequenos intervalos, enquanto toma-se chimarrão, depois do almoço, antes de dormir… qualquer hora torna-se uma hora de leitura.

Contudo, não é da sala de leitura que tenho saudades. Tenho saudades da leitura compartilhada. Lá, lemos uns para os outros. Quando nos chama atenção em um texto, logo chamamos alguém para ouvir aquele trecho. Pode ser um pedaço de uma reportagem interessante, pode ser a citação de um livro ou um pequeno poema.

Ao ler em voz alta, queremos que as pessoas que gostamos também sintam o prazer que sentimos ao ler aquelas palavras tão preciosas.

Lógico que nem tudo são flores. Não raro ouvimos alguém falando: “pará de ficar contando as coisas antes, você está estragando a minha leitura!” Para quem exagera nos trechos citados de algum texto de interesse comum.

Assim, assunto também não nos falta. Comentar o que foi ou está sendo lido, debater alguma reportagem, reclamar de algum autor, tudo isso faz parte da rotina da nossa conversa.

Na minha família, ler em voz alta aquilo que gostamos é um carinho a mais. É uma forma de amar, em voz alta, pelas letras.


Segredinhos de Amor

julho 6, 2009

Tem segredos que perdem a validade. Com o tempo o contexto se perde, as frases deixam de pesar e o que tornava aquelas palavras preciosas de serem guardadas já não existe mais.
Contudo segredos de amor nunca perdem a validade. Eles vão causar impacto sempre que revelados, e no dizer, mesmo que o sentimento já seja algo passado, o coração volta a acelerar… e se o amor era destinado a você vem sempre aquela sensação deliciosa de sentir-se amado e importante para alguém. Mesmo que passado muito tempo, pois, como diz Chico Buarque “amores serão sempre amáveis”.
Um segredo de amor é algo que ventila a alma, trás renovação de sonhos e aquela pontinha de esperança no ser humano.
Um segredo de amor deve ser aberto e recebido com cuidado. Por mais lindo que o segredo seja, nunca é fácil abrir-se para deixar que um segredo respire os ares do mundo. E nem sempre é fácil descobrir que por trás daquele ar blasé havia um segredo de amor guardado com tanto cuidado, talvez até com tanta paixão.
Cuidado com os seus segredinhos de amor. Eles são parte valiosa dos seus próprios sonhos.


Sob a omissão do luar, o amor começa.

setembro 1, 2008

O amor começa o tempo todo, para ele não existe hora ideal. O amor pode começar até mesmo hoje, nesta noite sem luar.

Ela olha seus olhos ainda fechados pela primeira vez e tem certeza de que o ama desde sempre. Ele é seu filho, seu primeiro e, ela ainda não sabe, será o único. Sabe, apenas, que o amará muito, e que o ama ainda mais por saber que até a poucos minutos ele era só dela, e que agora ela terá de o disputar com o mundo. Perderá miseravelmente muitas vezes. Já intui, porém, que a recompensa virá das formas mais inesperadas, e que, afinal, ele a ama também, como nunca amará outra mulher.

Ana e Luiza são irmãs. Vivem brigando, mas, hoje, Ana chegará em casa e verá Luiza chorando. Pela primeira vez conversarão com sinceridade. Irão falar de medos e desejos, sonhos e amigos. Estará quase amanhecendo quando, finalmente, adormecerão de mãos dadas tendo certeza de que uma será, para sempre, o porto seguro da outra.

Sérgio e Natália trabalham no mesmo local. Nunca conversaram. Hoje os dois saíram tarde da fábrica, e se encontraram no ponto de ônibus. Na falta de Lua, a demora do ônibus foi o motivo necessário para o início da conversa. Falaram um com o outro e se sentiram ouvidos como nunca antes. Estavam descobrindo, embora tarde, o que é amar.

Três amores que nasceram como muitos outros, sob a omissão do luar, e que, arduamente, aprenderam que omitir certos sentimentos é letal para o amor.

Espero que aprendam a nunca omitir estas três palavras: eu te amo.

Falar de amor, também é amar.


%d blogueiros gostam disto: