Olhando para o teto

abril 12, 2011

Deitada no chão olho para o teto branco e lembro do teto da casa de madeira que embalou as tardes da minha infância. O teto era composto do desenho aleatório das madeiras colocadas lado a lado. Eram radiografias dos troncos de antigas árvores que inspiravam os pensamentos da menina curiosa que um dia fui.

Era uma variação da prática infantil de procurar imagens nos desenhos mutantes das nuvens.  A diferença é que o teto estava sempre lá, mesmo à noite ou com chuva, e os desenhos eram sempre os mesmos. O que mudava eram os rumos da imaginação e os detalhes que a minha percepção era capaz de apurar.

Do lado oposto estavam os desenhos das calçadas da casa, feitos de cacos de lajotas de cerâmica de diversas cores, e eu, sempre perdida em pensamentos, – pensamentos da menina introspectiva que fui – me surpreendendi com a diversidade dos desenhos que tão constantemente me arrebatavam.

Tetos e calçadas estiveram sempre lá, até o dia em que eu mudei em busca de outras definições. Hoje olho para o teto branco e tento justificar nele a minha falta de inspiração.

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