Apenas um apelido

dezembro 26, 2010

Tenho um nome interessante. Muitos já conhecem esta história e, para os que não conhecem, sinto informar, fica para outro dia.

Tenho, ainda, alguns apelidos interessantes, que também vão ficar para outro momento. Apenas um me interessa aqui: a primeira silaba do meu nome, Mar.

Não parece muito interessante a primeira vista, não é? Simples até demais. Talvez, no máximo, um truque para descobrir a procedência do interlocutor: um sotaque caipira não escaparia a tão convidativo “erre”.

Não é disso que estou falando. Estou falando do Mar, aquela imensidão azul. O lugar de onde um dia saimos há milhões de anos – sabem lá os cientistas como – para colonizar a terra. Denso, profundo, habitado, desconhecido, ancestral. Mar. Um dos meus apelidos de infância.

Mais tarde, alguns começaram a me chamar de Má. Lembra do truque para descobrir caipiras lá em cima? Pois é. Talvez tenha incomodado alguém. Também gosto desse apelido, pelo simples motivo de que gosto muito das pessoas que me chamam assim. Contudo, má é alguém que faz maldades, uma pessoa egoísta, imoral, etc. E esse é um dos meus apelidos. Paciência. Espero que tenha sido uma simples coincidência justificada pela preguiça da letra a mais, ou qualquer coisa que o valha.

Agora, Mar – este oceano de onde saem as pérolas.

Mar. Uma palavra simples, uma silaba apenas, definindo algo que nunca conseguiria abraçar com minhas palavras. Exeto uma: Mar.

Esta palavra que ainda guarda uma agradável surpresa. Mais um truque, um trocadilho.

Amo este apelido. Não posso admitir que foi a toa que deram este apelido para A Mar.


Saberes

dezembro 19, 2010

Não sei se te quero

Não sei sobre mim

É difícil perceber o quanto somos complexos

Mas, mais difícil é admitir o quanto somos previsíveis.

Procuro por algo que me mova

Por hora, fico parada observando

Não chego a conclusões – Não sei se te quero.

Observo, irritada.

Não sei se quero saber

Quero me mover, mover

Mas fico aqui, observando

Não sei sobre mim.


Altas horas

dezembro 12, 2010

A madrugada é pródiga de mistérios, talvez porque todos somos amadores ao habitá-la. Fomos molados para habitar a clareza do dia ou a sonolência da noite.

A madrugada é intensa aventura, ilusão de eternidade. Nenhuma madrugada é igual a outra, eterna descoberta, nela somos sempre crianças, aprendizes de seus mistérios.

A madrugada se apresenta integra com sua Lua, estrelas ou chuva herdadas da noite. É uma matriarca com a dignidade de quem guarda um segredo ancestral: o segredo de parir a alvorada todos os dias.

A madrugada é plena de uma calma espectante ou daquela angustia que dilacera a alma, cura para quem nela procura remédio, veneno para aqueles que cultuam a dor.

A madrugada é a sedução do jazz.

A madrugada é coisa de amador.


O melhor presente

dezembro 6, 2010

Há algo de fascinante em escrever. Apesar de precisar de um mote, um tema, um motivo, enfim, uma inspiração é só na hora em que a caneta encontra o papel e os rabiscos ganham significado que descobrimos os caminhos de nossas ideias.

Há um prazer em jogar com as palavras, em advinhar qual qual será a próxima letra, em tornar-se leitor da própria mão.

Há uma ternura que invade o ar ao ver um pensamento tornar-se físico.

Há muita vida para ser contada.

Ao ganhar uma caneta, ganhei possibilidades.


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