A beleza da imperfeição

julho 31, 2012

A foto que ilustra esse blog há cinco anos é a foto de uma rosa. Mas não é qualquer rosa: é uma rosa com uma imperfeição. Uma pétala enrugada, percebe?
E é isso que a torna tão especial para mim. Não é perfeita a rosa como não são perfeitas estas palavras. Contudo é esta imperfeição que confere identidade ao botão, é ela que o torna único. É por ela que, entre tantos, ele virou a capa deste espaço.
E não me canso da sua beleza. Pelo contrário, me parece ainda mais fresca e original agora. Um rosa da feira, a minha inspiração.

Por que a vida não precisa ser perfeita para cumprir seu papel.

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Ps.: A foto que ilustra esse blog é de minha autoria.

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Nossa vida não é um romance

julho 30, 2012

Por mais emocionante que seja a sua vida, conforme-se: ela não é um romance.

A vida de ninguém é um romance. No máximo uma notinha curta no jornal. Já disse alguém muito sabiamente. Afinal, a meia dúzia de histórias que haviam para ser contadas já o foram. Não há novidades no front das narrativas.

O que confere literatura a uma históra é a arte de quem escreve e a imaginação de quem lê. A gente tem que se conformar com meia duzia de emoções mal ajambradas a que chamamos de “sentido da vida”‘.

E isso não torna a vida de ninguém menos valiosa. Afinal a vida é para ser vivida e não para ser lida. Pare de narrar seus atos e começe a vivê-los. E aprenda a contar histórias: elas tornam a vida mais interessante e cumprem bem o seu papel quando as aventuras exigem uma pausa.

Sua vida pode não ser um romance, mas isso não impede que você viva vários romances ao longo da vida. Ou escreva vários romances – as duas alternativas nem sempre convivem bem.

Minha vida não foi um romance, mas ainda quero fazer muita coisa antes da nota curta de jornal.


Desemprego é bom.

julho 28, 2012

Emprego infantiliza.

 

O empregado vive a rotina que alguém afirmou que era boa para ele.

 

Acorda todos os dias no horário determinado por alguém, veste a roupa aceita por alguém, faz o trabalho que alguém acha necessário, vai para casa no horário em que alguém o libera, atende o telefone da forma como alguém disse que era o certo.

 

No resto do tempo – se há resto do tempo – ele descansa como alguém disse que era melhor, porque o seu tempo “livre” também tem de ser gasto com atividades bem vistas pelo “pessoal lá da empresa”. E ainda tem o dinheiro. O dinheiro que confere status e satisfaz desejos.

 

Um dia tudo isso acaba. Você acorda e depara-se com uma agenda vazia e pode preenchê-la como achar melhor. Não há mais alguém a quem agradar, horários a cumprir trabalho que alguém disse para fazer. Não há mais dinheiro a garantir conforto.

 

A responsabilidade por preencher a agenda é sua. O tempo é seu. Quanto você vai cobrar por ele?

 

Ficar desempregado é a oportunidade de pensar quanto vale o seu tempo, o seu trabalho. O que paga por ele? Além do pão nosso de cada dia, o que mais você precisa para viver? O que mais é importante para você?

 

Afinal, sem o status que o emprego confere, quem é você? O que você quer fazer pelo resto da sua vida?

 

O trabalho dignifica. O desemprego amadurece.


Vida: sem inocentes.

julho 9, 2012

Ninguém é inocente. É impossível viver sem deixar furos.

“Você tem o direito de permanecer em silêncio; tudo o que você disser poderá e deverá ser usado contra você no tribunal.” Essa deveria ser a nossa máxima na vida.

Talvez tenhamos a sorte de nunca ir a julgamento. O mais provável é que a nossa vida seja um eterno julgamento.

Um dia alguém vai pegar você em falta. É impossível nunca escorregar ou se omitir.

É a dor de ser estrangeiro. É viver em um país onde se é o único que não conhece as legislações e os obscuros códigos de conduta que regem seus tribunais e, ainda assim, ser julgado por estes.

Camus já havia dito isso nestas palavras “Também os outros seriam um dia condenados. Também ele seria um dia condenado. Que importava se, acusado de um crime, ele fosse executado por não ter chorado no enterro de sua mãe?”. Não importa o crime, a gravidade da acusação depende mais de quem julga que da ação julgada. Todos julgamos.

A vida é o mais absurdo tribunal e nele estamos sempre sós.

É impossível não estar só. Mesmo em situações onde a fronteira da intimidade é quebrada, onde a individualidade é perdida, onde não somos mais que iguais sob as mesmas regras e respondendo aos mesmos algozes e apetites, mesmo neste caso estamos sós.

Sós e culpados. Sempre.


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