Créditos

julho 17, 2011

Hoje eu queria agradecer a todas as pessoas que me ajudaram.
Não, não vou nomea-las aqui, pois nem eu mesma lembro de todas elas e suas ações anônimas.
As pessoas que me ajudaram são todas aquelas que em algum momento me contemplaram com seus gestos e palavras, mesmo que sua intenção, afinal, não fosse me ajudar. Eu agradeço mesmo assim.
Agradeço pois sei que se não fosse pela ajuda delas eu teria desistido da vida a muito tempo. Isso mesmo. Não sei se você notou, mas viver é muito, muito difícil. Difícil e doloroso quando não temos ajuda.
Agradeço a todas as gentis palavras e a toda paciência. A toda passagem aberta e a qualquer sorriso amigo. Agradeço a mãos dadas, aos ombros oferecidos e aos exemplos que muito me ensinaram. Agradeço as críticas que me fizeram melhorar ou desistir de projetos sem futuro. Agradeço a cada oportunidade e ao trabalho que realizaram e que, no fim, me beneficiou de alguma forma. Agradeço a você que me lê e a você que me entende. Agradeço àqueles que tive oportunidade de ler.
Agradeço a todos aqueles que os bons frutos da sua existência chegaram até mim e me proporcionaram sentir essa imensa gratidão por estar viva que me acompanha pela vida a fora.

Agradeço-os sinceramente.

Obrigada.


Gari

julho 10, 2011

Um sabor marcante era o que vinha a sua boca toda vez que a via. Ela era a japonesinha que toda tarde sentava no café da livraria do bairro e ficava lendo um livro compenetrada bebericando um chá.

Foi por acaso que a viu em uma tarde em que fora atrás de um livro qualquer e um cheiro familiar lhe chamou a atenção. Seguiu o aroma e seus olhos pousaram naquela figura fascinante. Parecia uma miragem. Era algo tão sublime que quando ela foi embora ele não conseguia mais descrevê-la.

No dia seguinte, meio que por instinto, voltou a livraria sem motivo. No fundo sabia que sua ida estava mais do que justificada. Sabia que era aquela visão que tanto o entorpecera que queria ver de novo. E viu.

Deste dia em diante, dava um jeito de passar na livraria por este horário para apreciar a japonesinha.
No começo, mesmerizado que estava pela sua aparência, não pensava em muita coisa. Nem em se aproximar. Olhar bastava, na verdade era o suficiente para atordoa-lo até o dia seguinte.

Só não a via aos domingos; tristes domingos em que a livraria não abria.

A japonesa não fazia ideia do que acontecia. Chegava, pegava um livro em sua bolsa, pedia um chá, e por alguns minutos era toda leitura e degustação.

Para ele era como uma apresentação com hora marcada. Era como se ela estivesse representando a milenar cerimonia do chá. Ela agia, ele admirava, sem aplausos, sem tietismos, cada um fazendo seu papel de ator e espectador. E a vida seguia, a dele influenciado pela a arte de existir dela.

Com o passar dos dias começou a observar outros detalhes, como as suas leituras, as suas roupas, a forma como posicionava a cadeira para melhor acomodar o livro.

Começou a pensar em aborda-la, mas tinha medo de quebrar o encanto. Respirava fundo, aspirando aquele sabor que tinha o cheiro dela, tentando tomar coragem para a abodagem.

Por estes dias algo passou a intrigá-lo. Que bebida era aquela que sua musa tomava? O nome parecia flutuar no ar brincando por entre as partileiras de livros, se escondendo dele que ficava com um gosto sem nome na boca. Ela não pedia. Havia um acordo implicito entre ela e a atendente. Sentava-se e logo vinha a xícara misteriosa.

Ele sentia aquele cheiro inebriente que já estava se tornando uma obssessão e ficava tentando decifrar do que seria.

Até que um dia, sentado na mesinha ao lado dela, disse o nome que tanto o artodoava: gari.

Era um chá de gari.
Naquele instante a moça deixou a leitura de lado e voltou-se para ele. O que aconteceu depois disso é outra história. Mas posso adiantar que aquele nome de quatro letras foi o código que desencadeou um amor em notas de gengibre.


Falando carregado

julho 3, 2011

Se você acha que não tem sotaque, sinto-lhe informar, mas você tem sotaque sim. A não ser que você tenha feito um tratamento com uma fonaodiologa para resolver isso, ou fale igual a um robô (e ainda assim olhe lá), sotaque é o que você tem.

Talvez alguém até já tenha falado que você não tem sotaque, certo? Eu também já ouvi isso de muita gente e olha que eu nasci em Pato Branco! O mais provável é que você tenha um sotaque menos carregado do que aqueles que o cercam ou o seu sotaque seja uma mistura de vários sotaques. E nestes casos você continua a ter sotaque. Até o William Boner e a Fátima Bernardes tem sotaque.

A melhor forma de descobrir que se tem sotaque é viajando ou mudando de cidade. É quando você descobre que, apesar de falar português como seu interlocutor, você não entende o que ele fala e muito menos ele entende o que você fala. É quando você pergunta por algo e descobre que aquilo tem outro nome naquela região. Ou que aquela palavra pode ter outros significados.

É quando você demora a entender o quê o “daí” está fazendo no final da frase em Pato Branco, o que quer dizer o “até” no final da frase em Goiás ou qual é a função de ter um “não” no final da frase no nordeste.

Quando você sai do seu mundinho descobre que, além de ter sotaque, ele pode ser muito engraçado para alguém.

Nunca se envergonhe do seu sotaque. É lindo ter sotaque; significa que você tem uma história, significa que você é singular. E, no fundo, o importante é se comunicar, ou, como diria a minha mãe, “se me entendeu, não me crucifique”.


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