Amor, perdido amor.

fevereiro 28, 2011

Certa vez o poeta Thadeu Wojciechowski, o Polaco da Barreirinha, ao introduzir um dos seus poemas no blog escreveu algo mais ou menos assim: .

“e agora vamos falar de um assunto que interessa a todos:

amor”.

Fiquei surpresa com essa definição de amor como um assunto que interessa a todos.
Admito que ao ler o enunciado os primeiros assuntos que me vieram a cabeça foram “dinheiro” e “sexo”. É uma faceta da masculinização do pensamento.

Tomada por nostalgia, lembrei de como tratávamos o amor com tanto carinho há não muito tempo. Era a palavra divina, aquela que interessava; e liamos poemas e romances, trocávamos frases, escrevíamos cartas – cartas de amor. Será que foi por medo do ridículo que abandonamos a adoração do amor?

E ao invés de divino o amor ficou brega, piegas, fora de moda. Não conseguimos mais falar dele sem pedir desculpas.
Nossa mudez amorosa é tanta que a palavra mais procurada no Google a 10 anos é “sexo”.

Onde foi que sexo e dinheiro tomaram conta de nossos sonhos?

Não sei se fui eu ou o amor quem perdeu o bonde da humanidade, mas sei que definitivamente nós não estamos no mesmo vagão.


O dia em que fugi de casa

fevereiro 8, 2011

“A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa;
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!”

Mario Quintana

Mario Quintana volta e meia me presenteia com seus poemas deixando em meu dia-a-dia pequenos prazeres poéticos.
Eu sempre saio a rua como quem foge de casa. Apesar de definir meu programa perfeito aquele em que posso ir apenas com a chave de casa e uma garrafa d’água o meu cotidiano exige um fardo bem mais pesado.

Saio cedo, volto tarde e, no meio do caminho, realizo atividades aparentemente incompatíveis.  Para carregar uma vida tão variada uso uma mochila.

Um mochila enorme, cheia das coisas que serão usadas naquele dia, mas que dariam também para uma viagem pequena ou para quem quer fugir de casa. Saio de casa todos os dias pronta para fugir. Meus passos rápidos não deixam dúvida disso – ando sem olhar para trás. A velocidade aumenta ainda mais com o peso da mochila.

Não resta dúvida: fujo.

Todos os dias viro um Viking e saio por ai desbravando o mundo.

Todos os dias eu fujo de casa; fujo como um filho pródigo que, no fundo, o que mais deseja é a hora de retornar.

*Ps.: cometi um erro de escrita neste post. Obrigada ao @al_maia pela gentileza de ter me alertado.


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