Bailando

junho 1, 2013

Marcio Pimenta - Mulher dançando

Tenho meus dias de bailarina espanhola. Dias de movimentos marcados, passos firmes, sons intensos. Dias de certezas.
Tenho meus dias de bailarina clássica, dias de levezas, de pontas dos pés, dos movimentos delicados e precisos. Dias de sonhos.
Tenho meus dias de gueixa, essa bailarina da imaginação, que dança com as mãos contando histórias antigas enquanto prepara o chá.
São dias de silêncios.
Tenho dias, muitos dias – uma vida inteira de coreografias e improvisos.

Ps.: Foto de Márcio Pimenta, para mais fotos clique aqui.

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Sobre fazer estágio

outubro 4, 2009

Quando fazemos faculdade procuramos fazer um estágio que nos prepare para o futuro. E assim batalhamos por aquela vaga de estágio em uma empresa renomada ou na clinica em expansão.

Eu, estudante de psicologia que era, levei um pouco à sério demais esse negócio de “fazer um estágio que nos prepare para o futuro” e fiz um estágio sobre envelhecimento. E, enquanto tentava sobreviver aos fantasmas da adolescência, aprendi sobre esse outro fantasma muito mais irreversível e assustador.

Alguns de meus colegas de curso foram ainda mais radicais e fizeram um estágio sobre morte. É uma aposta certeira, há 100% de garantia de que se encontrará com aquele futuro para o qual se quis preparar. Envelhecer, só se a morte permitir, se ela tardar, porque ela não falha. Nunca.

Escolher um estágio sobre envelhecimento ao invés de um estágio sobre morte é apostar na esperança. Combina comigo – realista e sonhadora ao mesmo tempo.

Foi desse jeito que, mais uma vez, escolhi a vida. Por mais dura que ela fosse, por mais perdas que ela acarretasse, por mais incerta que ela se mostrasse.

Porque certeza, certeza mesmo, eu só tenho uma, mas é melhor deixar isso para depois.


2009, Avó e a mesma pergunta sobre a vida

janeiro 3, 2009

2009 começou de um jeito nostálgico como já a muitos anos começa. Não pelo ano que se encerra, mas por estar na casa da minha Avô, revendo tanta gente, ouvindo tantas vozes familiares, comendo sabores de outro tempo.
Se tem alguém que me emociona, esse alguém é a minha avó. Uma verdadeira matriarca com seus mais de oitenta anos, com voz ativa nas questões da família e da casa. Casa aliás, que é um verdadeiro caldeirão de sentimentos controversos, onde acabo aprendendo um pouco mais sobre humildade e tolerância. Um lugar onde recarrego as energias e reflito um pouco sobre a vida para recomeçar cada ano.
Começo 2009 em um diálogo eterno, olhando para a minha avó, essa mulher que tanto amo e admiro, fazendo para mim mesma a pergunta que gostaria de fazer para ela: após viver tanto tempo o que ela pode ensinar sobre o sentido da vida?


Aniversáriando

dezembro 14, 2008

Para mim, envelhecer pode ser sinônimo de crescer no sentido do tempo. Por isso, me entristece quando percebo que já se passaram alguns dias e nesse tempo não aprendi nada, não mudei nada. O gostoso de estar vivo é essa necessidade de apreender o mundo, de mudar o mundo, de se adaptar ao mundo. “Matar tempo”, não está no meu vocabulário.
Eu gosto é de brincar com o tempo, sentir sua passagem com toda a intensidade, marcando cada célula do meu corpo.
Gosto de contar histórias, mas gosto mais ainda de ouvi-las. O que me fascina é que o mundo e os meandros do acaso são capazes de produzir milhões de histórias interessantes todos os dias. Gosto de coincidências, elas nos dão a sensação de que qualquer coisa pode nos acontecer e nos lembra que fazemos parte de algum muito maior chamado humanidade.
Gosto de viver, essa é a minha verdade.
Por isso, hoje comemoro com muita alegria 25 anos da mais pura vida.


Um recorte da vida

setembro 28, 2008

A vida corre.
A vida corre e eu pareço não ligar. Alheia a um certo mundo comum, fico sabendo das notícias com o atraso de um lugar distante. Por isso, chego a ficar confusa quando, aos sábados, leio o jornal de domingo que traz as noticias de amanhã.
Estou feliz vivendo a avessa do que desejo.
Mais uma vez, bate à porta a necessidade da mudança. Mudanças que, por vezes, desejo grandes, mas que hoje sei que são pequenas, mínimas mudanças para um cotidiano mais apreciado.
Reaprender a apreciar a vida. A vida também pode ser aquilo que apreciamos dela.


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