Tenho as mãos frias – e ainda nem morri.

janeiro 27, 2008

Tenho as mãos frias e ainda nem morri.
Ando pelas ruas vestida com um casaco preto em pleno verão. Mesmo de olhos fechados posso sentir, pelo tremelicar da calçada, a velocidade dos carros. Vejo uma mulher varrendo e seu movimento me hipnotiza. Poucos pássaros atravessam meu caminho: neste horário eles vão se alimentar em lugares mais generosos. Presto muita atenção ao que se passa ao meu redor, pois dentro de mim não passa nada – tenho o coração vazio.
É janeiro e a cidade está toda florida, bela, como se fosse primavera. Entre as pétalas, há um filhote de passarinho caído e eu pego para aquecê-lo.
Inútil – tenho as mãos frias.


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