Gentileza gera gentileza

julho 30, 2007

Gentileza gera gentileza. Eis uma verdade. Eu sei, parece clichê, parece auto-ajuda, parece simplista.
Todavia, é uma verdade; e as verdades, por mais óbvias que pareçam, às vezes precisam ser ditas.
Gentileza gera gentileza.
E o que é ser gentil? É difícil definir o que é ser gentil, afinal cada pessoa gosta de uma coisa, a cada pessoa uma coisa agrada. Cada um tem uma definição de “gentil”. Contudo, certas características são bastante comuns as pessoas gentis e vou tentar expô-las aqui.
Ser educado é uma delas. “Com licença”, “por favor”, “obrigada”. Uma pessoa gentil sempre usa essas palavras. E mais: pessoas gentis sabem como fazer essas palavras soarem mais do que simples convenção.
Sorrir é outra característica comum das pessoas gentis. De que adianta dizer “com licença”, se a tua expressão está dizendo: “se você não sair da minha frente eu passo por cima”? Sorria, simplesmente porque é bom sorrir. Sorria porque é bom ver outras pessoas sorrindo para você. Ou sorria por simples gentileza – uma hora o sorriso que era apenas um ato gentil, acaba se tornando uma expressão de alegria.
Pessoas gentis não aceitam maus-tratos. Ser gentil não é “engolir sapos” nem “levar desaforo para casa”. Ser gentil é saber que “gentileza gera gentileza” assim como “aspereza gera aspereza”. Se alguém foi áspero contigo, seja gentil com ele, e quebre uma cadeia de agressividade. Ser gentil é saber colocar-se no lugar do outro para encontrar a melhor forma de responder a uma indelicadeza, sem ser indelicado, mas deixando claro que não gosta de ser tratado de tal forma.
Ser gentil é saber expor sentimentos.
Ser gentil é saber elogiar. É descobrir que elogios existem para ser usados. É reparar nas qualidades das pessoas que estão ao nosso redor. É dizer para elas que estamos prestando atenção nos seus pequenos atos, e que as coisas positivas que elas fazem são muito importantes para nós. Assim como devemos dar apoio para que os erros possam ser corrigidos, devemos dar valor para as coisas positivas. Não elogie por elogiar: seja sincero. Entretanto, não fique esperando para fazer um elogio: aprenda a descobrir qualidades.
Ser gentil é mais do que uma característica: é uma atitude perante a vida.

Acredito que todos queremos um “mundo melhor” e quem quer um mundo melhor deve estar consciente de que este mundo é feito por pessoas também “melhores”. Tornar-se uma dessas pessoas é uma boa forma de tornar o mundo melhor hoje.

Você pode achar o meu texto ruim, acreditar que ele está mais para auto-ajuda barata do que qualquer outra coisa.
E eu não discordo de você. Se preferir, esqueça esse texto. Leve desta leitura apenas o título: gentileza gera gentileza.

Ah, e obrigada pela atenção. 🙂


Qual abelha fazendo mel são os músicos fazendo música.

julho 23, 2007

Qual abelha fazendo mel são os músicos fazendo música.

As abelhas constroem suas colmeias usando seus instintos com tal precisão matemática que o engenheiro moderno, mesmo em posse dos mais sofisticados instrumentos, é incapaz de imitá-la. Os compositores encadeiam notas a partir das sensações que estas lhes provocam e guiados pela sensibilidade e pelas técnicas músicais de seu tempo constroem obras-primas que, muitos anos mais tarde, quando os matemáticos resolvem estudá-las descobrem formulas precisas na base de tanta beleza. As abelhas saem na época mais propícia à procura das flores mais coloridas para coletarem o néctar que transformam em mel, o seu precioso alimento. Elas o guardam com cuidado à espera do inverno. E é assim que, há tantos milênios, encantam paladares humanos. Os músicos usam de todo o seu preparo, habilidade e inspiração para tirar as notas da partitura e dar-lhes vida com seus instrumentos e suas vozes. Vida esta que é breve, mas que será inteiramente absorvida pelo corpo sensível do seu ouvinte, transformando-se em encantamento.

Prove mel e ouça boa música… Assim poderá entender quão grandes são os desafios da ciência frente a perfeição das artes e da natureza.


Leituras

julho 17, 2007

Toda vez em que sou perguntada sobre qual o meu livro preferido, sempre respondo: o livro que estou lendo agora. Não porque cada livro que estou lendo seja sempre melhor que o anterior – infelizmente nem sempre isso acontece. Também não é porque não existam livros que marcaram mais que outros, ou, ainda, que não existam livros dos quais eu não tenha gostado. Contudo, no momento em que estou lendo um livro ele se torna o mais importante para mim. É com ele que estou interagindo, são as suas palavras que estão conduzindo os meus pensamentos no presente. Um livro fechado na estante é um objeto qualquer e nada mais. O livro só existe como tal na sua relação com o leitor.

“um livro de poesia na gaveta não adianta nada/ lugar de poesia na calçada” Sérgio Sampaio.

 

Então o Catatau perguntou-me quais seriam as minhas leituras mais presentes, mais próximas. Não foi fácil, e o resultado é mais um retrato momentâneo do que um lista definitiva. Vamos lá:

 

Ciência e Comportamento Humano, B. F. Skinner

Esse com certeza é um dos mais presentes na minha vida. O meu primeiro contato com seus trechos foi no primeiro ano de faculdade e de lá para cá sempre o estou consultando, relendo trechos para poder compreender melhor alguma parte da teoria da Ciência do Comportamento. É considerado o livro de referencia da área trazendo as linhas gerais desta ciência. Mais de 50 anos da sua publicação e esta continua sendo uma obra revolucionária – e que ainda rende muitas pesquisas na área, muita discussão, e muitos pontos abertos para pesquisa. Além da proximidade como leitura, esse livro é representativo de uma categoria das minas leituras: a literatura referente à psicologia, em especial, ao Behaviorismo Radical.

 

Quintana de Bolso, Mario Quintana

Esse livro é uma compilação de alguns dos mais conhecidos poemas do autor. É um livro, como o titulo diz, pequeno e fácil de carregar e acaba sendo, por isso mesmo, minha primeira opção quando preciso de um livro que caiba em qualquer lugar. E o melhor: lê-lo sempre me faz bem! Mario Quintana é irônico, divertido, belo, simples, genial… Recomendo a experiência de passear pela vida em sua companhia…

 

Carlos Drummond de Andrade

Era para ser um livro, mas no caso do Drummond fica sendo a obra. Já li vários livros dele, tenho alguns livros que estão na minha estante e que sempre estão sendo relidos e tenho alguns versos dele que levo sempre comigo, de cor, para que sempre que necessário eu tenha a sua visão de mundo por perto – visão por vezes um tanto mau-humorada mas sempre precisa…

 

Sensível Desafio, Célia Musilli

Um livro evidentemente feminino, e seu nome não podia ser melhor: este livro está sempre desafiando a sensibilidade do leitor. Poemas e cartas que me tocam e inspiram por esta vida. Alias, neste caso não apenas o livro, mas tudo que a Célia escreve tem sido um grande aprendizado para mim.

 

Água Viva, Clarice Lispector

É um livro lindo, curtinho, mas onde cada frase pede uma reflexão própria. Anotei muitas frases quando li, e até hoje me surpreendo ao relê-las, e tenho certeza que se lesse o livro novamente outras frases seriam anotadas. De resto ele fala por si só:

“Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, gênero não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo” p. 14, Clarice Lispector, Água Viva

 

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Quem estiver a fim de responder a pergunta avise nos comentários que eu acrescento o link aqui neste post.

Oba! Três queridos leitores já toparam o desafio e vão matar a nossa curiosidade a respeito das suas leituras mais próximas: Thahy, André e Robson. Valeu pessoal!

Mais alguém sentiu-se desafiado?

 

 


Pelas ruas de Porto Alegre

julho 10, 2007

Andar pelas ruas de Porto Alegre.
Ruas por onde Mario Quintana andou. Ou, talvez, estas sejam aquelas pelas quais ele nunca passou, ruas das moças mais bonitas e que doíam quando olhava o mapa de Porto Alegre – desenho anatômico de seu próprio corpo.
Só, brinco com a franja do cachecol enquanto ouço o barulho dos meus passos na calçada. É uma manhã de sábado esvaziada pelo horário e pela chuva, que caiu de madrugada e que ainda agora paira como uma ameaça melancólica sobre nossas cabeças.
Ando sem destino, como quem quer apenas se deixar envolver pela cidade. Às vezes, deixo-me seduzir por uma alameda calçada em pedra e rodeada por charmosas arvores. Não há nada mais charmoso que uma rua arborizada. (Channel que me perdoe, mas é verdade…).
A chuva deixou de ser uma ameaça para se tornar real. Isso exige uma medida drástica: abro a sombrinha. Bom, pelo menos até parar no próximo café, pois mal posso esperar para compartilhar com o papel as minhas felizes impressões desse momento.


O que é morte?

julho 1, 2007

Morte é o que dá sentido à arte.

É o que dá sentido as religiões, a ciência, a política, ao trabalho.

Morte é o que dá sentido aos filhos e a todos os cuidados que dispensamos a eles, como quem busca a própria imortalidade na longevidade da espécie e no amor que legamos a eles junto com os genes.

Morte é o molde da espécie.

Morte é o que dá sentido as atividades humanas, atividades estas que dão sentido a vida.


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