Independentes

novembro 25, 2007

 

 

 

Eu gostava de desenhar

 

gatos.

 

Não sei mais desenhar

 

gatos.

 

 

Onde foram parar os

 

gatos

 

inspiradores

 

do passado?

 

 

De tanto

 

tentar

 

apreende-los

 

Eles,

 

os gatos,

 

comeram

 

o meu traço.

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Presente!

novembro 18, 2007

Presente!
Se é a vida quem chama, eu sempre respondo: presente!
Agora, já, já, já!
Presente é um eterno ser.
Um eterno fazer-se.
FAZER-SE PRESENTE
Presentei-se: sinta, plenamente, o instante que é.
Por que será que os únicos momentos que parecemos sentir plenamente são os de dor, de angustia?
Por que os momentos felizes perdem-se na ansiedade do porvir ou na rememoração do passado?
Deixe o presente acontecer
Sinta o presente acontecer.
Sinta.
O agora é um momento para se viver.


Carta aos corações embrutecidos

novembro 11, 2007

 

“Às vezes fico pensando o que os “outros” fazem com os instantes vividos. Falo daqueles especiais, quando o tempo pára e a vida suspensa parece um céu estrelado, como a paz de um longo beijo. Às vezes fico pensando o que os “outros” fazem com as palavras doces, as frases de entrega, a felicidade espontânea, o afeto que ilumina.”
Célia Musilli

 

Há quanto tempo não sabes o que é viver um instante? Há quanto tempo simplesmente ignoras os instantes?

Eu sei, eu sei: já te entregastes em algum momento do passado com todo amor e delicadeza que havia em tua alma e destes derradeiros momentos de entrega guardas grandes cicatrizes que, às vezes, ainda doem. Nestes momentos de dor, lágrimas sinceras escorrem pelo teu rosto e descobres que ainda és capaz de chorar, mas as lágrimas que reinauguram os teus olhos ressequidos estão presas ao passado e a dor.

Sim, presas ao passado, pois, além das cicatrizes, trazes também o coração envolto em uma camada do mais duro diamante, carinho nenhum passa por este escudo de tristezas.

E é isto que fazes com os instantes vividos: os transforma em uma capa de insensibilidade, usas para esterilizar os sentimentos embrutecer o coração.

E, para não correr o risco de o diamante se quebrar, foges dos abraços, desmanchando laços antes que eles se estreitem, ficas surdo frente às palavras doces e os momentos de entrega só existem para a angustia.

Segues em um não sentir, ignorando o presente e arrastando pela vida o peso da tristeza. Acabas com os instantes para não vivê-los, transformando a existência em um bloco compacto de desespero. Por medo de sofrer, faz um pacto com o sofrimento escolhendo alimentar-se dele em intermináveis doses homeopáticas.

Com os instantes vividos fazes teu coração de pedra.


Cantando

novembro 4, 2007

Sim,

Sou cantora.

Cantora Amadora.

Mais amadora que cantora,

Mais amadora que amada.

 

Sou a nota, sou o tom

Sou a partitura não tocada:

pura potência.

 

Sou o ritmo

para aquilo que não tem tempo.

Sou dissonante, atonal

um melancólico allegro.

 

Sou emoção

(harmonia?)

entrando pelos seus ouvidos.


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