Das Sinopses

janeiro 21, 2008

Tenho um costume, digamos, peculiar: evito ler sinopses de filmes, livros e peças que quero ver. Normalmente, elas contam detalhes importantes da história tirando boa parte do prazer que seria provocado pela surpresa. Em geral, quando sabemos de algumas partes da história, a surpresa acaba sendo substituída por uma certa ansiedade em saber “quando é que tal coisa vai acontecer, afinal?”. Não parece uma troca vantajosa.

Eu sei que um bom livro é bom não apenas pela sua história, mas pelo modo como ela é construída. De toda forma, continuo a considerar importante o “fator surpresa”.

Um filme delicioso é mais divertido quando somos ingênuos na história.

 

Talvez aconteça o mesmo na vida: ela só se torna realmente interessante quando somos ingênuos na história…


Qual abelha fazendo mel são os músicos fazendo música.

julho 23, 2007

Qual abelha fazendo mel são os músicos fazendo música.

As abelhas constroem suas colmeias usando seus instintos com tal precisão matemática que o engenheiro moderno, mesmo em posse dos mais sofisticados instrumentos, é incapaz de imitá-la. Os compositores encadeiam notas a partir das sensações que estas lhes provocam e guiados pela sensibilidade e pelas técnicas músicais de seu tempo constroem obras-primas que, muitos anos mais tarde, quando os matemáticos resolvem estudá-las descobrem formulas precisas na base de tanta beleza. As abelhas saem na época mais propícia à procura das flores mais coloridas para coletarem o néctar que transformam em mel, o seu precioso alimento. Elas o guardam com cuidado à espera do inverno. E é assim que, há tantos milênios, encantam paladares humanos. Os músicos usam de todo o seu preparo, habilidade e inspiração para tirar as notas da partitura e dar-lhes vida com seus instrumentos e suas vozes. Vida esta que é breve, mas que será inteiramente absorvida pelo corpo sensível do seu ouvinte, transformando-se em encantamento.

Prove mel e ouça boa música… Assim poderá entender quão grandes são os desafios da ciência frente a perfeição das artes e da natureza.


Leituras

julho 17, 2007

Toda vez em que sou perguntada sobre qual o meu livro preferido, sempre respondo: o livro que estou lendo agora. Não porque cada livro que estou lendo seja sempre melhor que o anterior – infelizmente nem sempre isso acontece. Também não é porque não existam livros que marcaram mais que outros, ou, ainda, que não existam livros dos quais eu não tenha gostado. Contudo, no momento em que estou lendo um livro ele se torna o mais importante para mim. É com ele que estou interagindo, são as suas palavras que estão conduzindo os meus pensamentos no presente. Um livro fechado na estante é um objeto qualquer e nada mais. O livro só existe como tal na sua relação com o leitor.

“um livro de poesia na gaveta não adianta nada/ lugar de poesia na calçada” Sérgio Sampaio.

 

Então o Catatau perguntou-me quais seriam as minhas leituras mais presentes, mais próximas. Não foi fácil, e o resultado é mais um retrato momentâneo do que um lista definitiva. Vamos lá:

 

Ciência e Comportamento Humano, B. F. Skinner

Esse com certeza é um dos mais presentes na minha vida. O meu primeiro contato com seus trechos foi no primeiro ano de faculdade e de lá para cá sempre o estou consultando, relendo trechos para poder compreender melhor alguma parte da teoria da Ciência do Comportamento. É considerado o livro de referencia da área trazendo as linhas gerais desta ciência. Mais de 50 anos da sua publicação e esta continua sendo uma obra revolucionária – e que ainda rende muitas pesquisas na área, muita discussão, e muitos pontos abertos para pesquisa. Além da proximidade como leitura, esse livro é representativo de uma categoria das minas leituras: a literatura referente à psicologia, em especial, ao Behaviorismo Radical.

 

Quintana de Bolso, Mario Quintana

Esse livro é uma compilação de alguns dos mais conhecidos poemas do autor. É um livro, como o titulo diz, pequeno e fácil de carregar e acaba sendo, por isso mesmo, minha primeira opção quando preciso de um livro que caiba em qualquer lugar. E o melhor: lê-lo sempre me faz bem! Mario Quintana é irônico, divertido, belo, simples, genial… Recomendo a experiência de passear pela vida em sua companhia…

 

Carlos Drummond de Andrade

Era para ser um livro, mas no caso do Drummond fica sendo a obra. Já li vários livros dele, tenho alguns livros que estão na minha estante e que sempre estão sendo relidos e tenho alguns versos dele que levo sempre comigo, de cor, para que sempre que necessário eu tenha a sua visão de mundo por perto – visão por vezes um tanto mau-humorada mas sempre precisa…

 

Sensível Desafio, Célia Musilli

Um livro evidentemente feminino, e seu nome não podia ser melhor: este livro está sempre desafiando a sensibilidade do leitor. Poemas e cartas que me tocam e inspiram por esta vida. Alias, neste caso não apenas o livro, mas tudo que a Célia escreve tem sido um grande aprendizado para mim.

 

Água Viva, Clarice Lispector

É um livro lindo, curtinho, mas onde cada frase pede uma reflexão própria. Anotei muitas frases quando li, e até hoje me surpreendo ao relê-las, e tenho certeza que se lesse o livro novamente outras frases seriam anotadas. De resto ele fala por si só:

“Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, gênero não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo” p. 14, Clarice Lispector, Água Viva

 

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Quem estiver a fim de responder a pergunta avise nos comentários que eu acrescento o link aqui neste post.

Oba! Três queridos leitores já toparam o desafio e vão matar a nossa curiosidade a respeito das suas leituras mais próximas: Thahy, André e Robson. Valeu pessoal!

Mais alguém sentiu-se desafiado?

 

 


FILO – O Festival de Todas as Artes

junho 24, 2007

Em época de FILO respiro arte, sinto arte!
Sinto isso, assim, mais que nunca, e pelos olhos expresso as emoções que o palco traz. Chegou a hora em que as palmas ecoam e a cortina desce. Meus olhos coloridos ficaram na iluminação do palco… Quando tudo se apagou e a noite escura fez-se presente, meus olhos voltaram a ser bicolores. Na volta para casa o silêncio do sábado fez parecer maior a solidão dos meus passos na calçada.
O FILO 2007 chegou ao fim lembrando-me que beleza do mundo vai além do espetáculo: ele apenas a revelou por uma nova – e encantadora – face.


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