Microcontos III

outubro 22, 2007

Microcontos campeiros

* Estalos na tapera, susto do tropeiro. Noturno, o gato passeia.

* Todo dia, na pausa do mate, Rubio conclui: saudade virou bebida.

* Pedi: “Negrinho do Pastoreio, encontres meu coração!”. Achei-te.

* De cuia na mão, João até sente o Minuano, louco, no centro do Rio.

* Uma milonga apenas e a prenda fugidia volta ao sabor do mate.

* Faca no chão, silêncio no pago: o luto é por Martín Fierro.

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MicrocontosII

outubro 16, 2007

Marina Colasanti, escritora e jornalista brasileira, afirmou em uma recente entrevista que são as histórias que determinam qual é o formato que melhor lhes cabe.

Nesse sentido, o formato “microconto” tanto pode concordar quanto discordar com a afirmativa da autora.

Discordância: o formato do microconto não nasceu porque algumas histórias exigiram um novo formato, pelo contrario, um formato foi proposto e a história teria que se encaixar nele.

Concorda: o fato de o formato ter surgido primeiro não quer dizer que não existam histórias que não ficam muito bem nele, como podemos perceber em uma visita ao site A Casa das Mil Portas. Assim, o microconto pode ser encarado como uma nova possibilidade de expressão.

Alias, o próprio site, ao definir o microconto, concorda com esta visão:

“Um microconto é, ao menos na nossa definição, uma história em prosa contada em cinqüenta letras ou menos. Se parece pouco é porque é realmente pouco. Fazer um microconto é um desafio literário, uma tentativa extremamente econômica de contar ou sugerir uma história inteira.”

Particularmente, gosto de ser desafiada pela forma. Considero um ótimo exercício de criatividade, principalmente quando não se está acostumado a inventar histórias. Contudo não acredito que está forma deva ser adotada como única. Longe disso: se a história pedir, ou o desafio chamar, então que seja microconto. Se não for o caso, pode ser um minoconto, um conto, um poema, uma crônica, um romance…

Para encerrar, fui buscar em Jorge Luís Borges uma possível resposta a pergunta que Jonh lançou nos comentários: “Se ler é algo bom, para que escrever tão pouco?”

 

“Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de explanar em quinhentas páginas uma idéia cuja exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que estes livros já existem e apresentar um resumo, um comentário.” Jorge Luís Borges, Ficções.

 


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