Dando bobeira para a sorte

dezembro 15, 2009

Quando era estudante de psicologia e comecei a atender na clinica inventei a expressão “dando bobeira para a sorte”. Que significa “tente fazer as coisas de um jeito diferente, de um jeito que costuma dar certo para outras pessoas que estão na mesma situação, que assim a chance de você acertar será maior”.

Em geral, clientes quando chegam a clinica estão “dando bobeira para o azar”. Ou seja, eles estão se comportando de forma inapropriada para as situações a que se propõe enfrentar e com isso tem resultados pouco satisfatórios – para não dizer desastrosos.

Na clínica o que os psicólogos da minha abordagem costumam fazer é tentar ensinar os clientes a pararem de “dar bobeira para o azar” e começarem a “dar bobeira para a sorte”.

Contudo, até hoje, esta expressão servia apenas como uma tentativa minha de tornar a terapia mais leve usando uma expressão próxima do cotidiano – e para fazer a minha antiga supervisora de clinica dar algumas risadas.

Eis que descobri que tem alguns psicólogos estudando o porquê de algumas pessoas serem mais sortudas e outras mais azaradas.

Entre eles o psicólogo inglês Richard Wiseman, autor do livro Esquisitologia-A estranha psicologia do cotidiano. Em um trecho do livro é descrito o resultado de uma pesquisa sobre sorte com a seguinte conclusão:

“Resultados como esse revelaram que os voluntários estavam criando muito de sua boa ou má sorte por conta da maneira como pensavam e se comportavam. As pessoas de sorte eram otimistas cheias de energia e predispostas a novas oportunidades e experiências. Por outro lado, os azarados eram mais retraídos, desajeitados, ansiosos em relação à vida e pouco inclinados a aproveitar ao máximo as oportunidades do caminho.”

O que basicamente quer dizer: pessoas sortudas dão bobeira para a sorte, e pessoas azaradas dão bobeira para o azar.

Por isso, meu caro, se é para dar bobeira para alguma coisa, escolha dar bobeira para a sorte.

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