Retornando

novembro 1, 2009

Cozinho uma receita sem gosto e sem graça para anestesiar a compulsão de meus dias.

Ao lado, um chimarrão que traz o amargo para a boca, tornando especial o momento certo da saudade. Saudade que sempre varia nos dizeres, apesar de o sotaque não variar.

Gosto de viajar, já declarei isso milhares de vezes. Declaro novamente. Viajar é ter oportunidade de sentir saudade do que era rotina. Viajar é sentir saudade do que ainda está por vir, da descoberta de um tempo paralelo em outra parte do planeta.

Ontem voltei de viagem, hoje é dia de esquecer com o que quase me acostumei.

É mais fácil arrumar as malas do que desfazê-las e assim também é com sonhos que depois de desfeitos trazem uma sensação de alivio tão grande que esquecemos do porque estávamos tão apegados a aquele  sonho. Fazer as malas é lutar contra a sensação de estar esquecendo alguma coisa. Sonhar é lutar com a realidade.

A comida ficou pronta e a mala está desfeita. Ainda me resta este chimarrão frio para sorver um pouco desta saudade sem prazo de validade.

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