A lembrança mais antiga

janeiro 18, 2009

Foi em uma tarde qualquer de 1948, não sei se importa tanto o quando. Às vezes, penso que a vida é um ciclo interminável de repetições, outras, que é um jogo de azar em um infinito dado de probabilidades do qual nunca conheceremos todos os lados. Nestes momentos, penso que uma vida é muito pouco para que tenhamos uma real dimensão do poder do acaso.
Foi naquela tarde, agora tão distante, que inaugurei minha memória. É a minha lembrança mais antiga, lembrança de imagens, texturas, cheiros, cores e vozes. Antes disso, apenas histórias contadas por pais e tios, histórias que hoje também tem seu lugar no meu carregado baú de recordações.
Lembro as sensações da grama pinicando a pele delicada de criança, da sombra das arvores, da mãe chamando quando o Sol não era mais que um suspiro vermelho. Lembro do cheiro da roseira logo ao lado.
Essas lembranças não vieram assim, fragmentadas, mas vieram todas de uma vez, como uma revelação, um susto, e com o tempo fui colocando em pratica a minha mania de organizar, quebrando aquele breve instante em inúmeros nomes, aprendidos bem mais tarde.
Não sei por que lembro desta tarde, mas sei que esse instante vem toda vez que a vida precisa mudar um pouco.
Hoje, uso ela como lastro, como rumo. Faço isso enquanto o acaso joga dado brincando com a minha vida.


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