Fechaduras

Márcio Pimenta - Porta Fechada 144
Tenho cá comigo lugares que ninguém visita. Lugares perdidos que eu mesma as vezes esqueço dos caminhos que levam até lá. Nada que interesse na vida prática, mas que me rende esse olhar perdido de quem já viu muito mais coisas do que conhece palavras para contar.

Talvez seja por causa desse olhar, dos silêncios ou das coisas sobre as quais calo – não sei precisar de onde veio essa fama de misteriosa que me surpreende de tempos em tempos.

As vezes acho que é a simplicidade que atordoa. Nos desacostumamos do simples, o mundo anda muito rebuscado, escondido em efeitos especiais, de respostas que só vem depois de jogos. Quando aparece algo simples ficamos perdidos, afinal, não sabemos mais como ler algo a não ser pelas pistas. O todo nos escapa.

Sim, eu tenho portas fechadas, mas, acredite, elas não interessam. O que digo para você é direto, é simples, é presente.
Deixe os pés de cabra de lado e não force as minhas fechaduras, se elas forem importantes eu mesma lhe darei as chaves.

Esqueça as portas fechadas e ande comigo pelos caminho de agora. Esqueça as minhas portas fechadas que eu esqueço as suas.

Ps.: o texto de hoje tem uma novidade que é a parceria com o fotógrafo Márcio Pimenta, espero que outros textos meus sejam ilustrados com as imagens deste artista.

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3 Responses to Fechaduras

  1. Carla Zeglio disse:

    Belíssimo texto. 😀

  2. Bernardo disse:

    firme!

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