Psicologia, um outro porquê

“- Por que você fez psicologia?”
“- Porque gosto de viver perigosamente.”

Esta é uma da muitas respostas que você pode ouvir ao fazer-me a pergunta acima. Em seguida, após observar sua cara de espanto e incompreensão vou dizer um “estou brincando”, e lhe contar uma história mais plausível e real dos motivos que me levaram a escolher esse caminho. Contudo, nem por isso, deixo de considerar que ser psicóloga é uma forma de viver perigosamente. E quando digo perigosamente falo em muitos sentidos.

Os riscos mais reais estão ligados a clientes perigosos cara-a-cara com você em uma salinha reservada, tratando de assuntos explosivos. São familias complicadas fazendo diversos tipos de ameaças. São clientes e familiares tentando seduzi-lo a conclusões errôneas, mais convenientes com a manutenção de suas vidas doentias. Isso mescaldo por ameaças trabalhistas; chefes que não sabem para que serve o seu trabalho; os erros a que pode incorrer no exercício da sua profissão e todos os dilemas que provém do medo de comete-los.

Outros perigos são ainda menos objetivos – são caminhos tortuosos que um psicologo percorre sozinho. Os psicologos usam de teorias para olhar o mundo de uma forma incompreesivel para a maioria dos outros humanos. Outras profissões podem afirmar o mesmo dentro de suas areas de atuação, e admiro-as por isso. E na faceta que cabe a psicologia é aquela tentativa sincera de compreender o humano, abdicando ao moralismo e ao misticismo. Quando um psicólogo consegue fazer isso, ao menos em parte , ele compreende as infinitas possibiliades de uma vida melhor que pequenas mudanças de comportamento podem acarretar e se sente impotente com seu trabalho de formiguinha com a sua ciência ainda tão nova e ainda com tanto a descobrir, compreender e produzir.

Ser um psicologo, pelo menos para mim é sentir a riqueza e as possibilidades do mundo que uma compreensão profunda do humano proporciona e sofrer por não conseguir compartilhar isso com mais ninguém. Eu sei que este relato está parecendo pura arrogancia, mas hoje é 1º de maio, dia do trabalho e eu precisava fazer esta declaração de amor a minha maltrada profissão.

* Este texto foi escrito em um primeiro de maio perdido nos anos, durante uma conexão no aeroporto de Brasilia. Resgatei ele agora, aproveitando que o dia do Psicólogo foi 27 de agosto.

2 respostas para Psicologia, um outro porquê

  1. Djabal disse:

    Ser psicólogo é mesmo descobrir-se através do outro, e vice-versa. Aprender é diferente de descobrir. E agir é diferente de aprender. Quem consegue puxar o fio do novela terá disposição para correr. Beijos.

  2. MariLumello disse:

    Esse texto despertou algo em mim que estava adormecido…

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