O dia em que fugi de casa

“A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa;
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!”

Mario Quintana

Mario Quintana volta e meia me presenteia com seus poemas deixando em meu dia-a-dia pequenos prazeres poéticos.
Eu sempre saio a rua como quem foge de casa. Apesar de definir meu programa perfeito aquele em que posso ir apenas com a chave de casa e uma garrafa d’água o meu cotidiano exige um fardo bem mais pesado.

Saio cedo, volto tarde e, no meio do caminho, realizo atividades aparentemente incompatíveis.  Para carregar uma vida tão variada uso uma mochila.

Um mochila enorme, cheia das coisas que serão usadas naquele dia, mas que dariam também para uma viagem pequena ou para quem quer fugir de casa. Saio de casa todos os dias pronta para fugir. Meus passos rápidos não deixam dúvida disso – ando sem olhar para trás. A velocidade aumenta ainda mais com o peso da mochila.

Não resta dúvida: fujo.

Todos os dias viro um Viking e saio por ai desbravando o mundo.

Todos os dias eu fujo de casa; fujo como um filho pródigo que, no fundo, o que mais deseja é a hora de retornar.

*Ps.: cometi um erro de escrita neste post. Obrigada ao @al_maia pela gentileza de ter me alertado.

3 respostas para O dia em que fugi de casa

  1. Queria eu fazer isso, mas minhas costas não deixam, hehe! Só carregando meus apetrechos de fotografia já fica pesadinha, imagina botando mais coisa!
    Fora que aqui por Recife é meio complicado sair assim, carregadão…

  2. Pois, é… acho que, mesmo sem saber, terminamos querendo fugir de tudo aquilo que não é genuinamente nosso, mas que termina se fazendo presente dada às necessidades da vida.

    É aquilo, em algum momento fico entulhado de tanto que não é meu que sinto a necessidade de fugir. Mas é para procurar a mim mesmo… A fuga é um reencontro consigo!

  3. Djabal Maat disse:

    Um escritor americano Nathaniel Hawthorne escreveu uma linda história com o mesmo tema. Apesar do longo tempo que levou para voltar. Um dia o fez, e quem ele encontrou dentro de casa, o recebeu como se tivesse saído de mochila, justamente naquela manhã, sem a menor preocupação, ou interrogação. Não é uma beleza? Encontrar pessoas que, sem nenhum esforço, realizam parte da nossa fantasia?
    No mais, a qualidade de sempre.
    Beijos.

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