Altas horas

A madrugada é pródiga de mistérios, talvez porque todos somos amadores ao habitá-la. Fomos molados para habitar a clareza do dia ou a sonolência da noite.

A madrugada é intensa aventura, ilusão de eternidade. Nenhuma madrugada é igual a outra, eterna descoberta, nela somos sempre crianças, aprendizes de seus mistérios.

A madrugada se apresenta integra com sua Lua, estrelas ou chuva herdadas da noite. É uma matriarca com a dignidade de quem guarda um segredo ancestral: o segredo de parir a alvorada todos os dias.

A madrugada é plena de uma calma espectante ou daquela angustia que dilacera a alma, cura para quem nela procura remédio, veneno para aqueles que cultuam a dor.

A madrugada é a sedução do jazz.

A madrugada é coisa de amador.

Uma resposta para Altas horas

  1. A última frase me lembrou vagamente a ideia de que um pervertido não chama perversão por esse nome.
    Alguém que vara muitas madrugadas não chamaria então madrugada de madrugada, apenas de período em que costuma estar acordado… seria por aí?

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