unending meeting

Marcaram um encontro em um ponto distante da cidade. Imaginaram que seria conveniente a um e a outro. Foi por indicação dele que disse que era “um lugar em que se pode esquecer que estamos nesta cidade”. Cidade do interior, pequena – menor em liberdade de ações e idéias do que em número de habitantes. Na verdade a cidadezinha parecia cheia demais para aqueles dois naquele dia: eles se bastavam.

Foi um encontro feliz. Definitivamente. Falaram de planos e, principalmente, de pessoas. Não, não de pessoas específicas, mas de seus sentimentos e idéias sobre o que a humanidade que os cercava vinha fazendo com seus sentimentos. Estavam alegres e foram andando para casa, um se propôs a fazer compania ao outro sem pressa: os passos tinham o ritmo da conversa.

Por vezes paravam, por vezes trocavam de lingua, por vezes riam… as pessoas olhavam. Era bom simplesmente ser.

Foram andando sem muitas preocupação até que pararam em uma esquina: “eu continuo morando ali” ele disse. “E eu estou hospedade aqui”, ela disse. Eram vizinhos e haviam andando a cidade toda antes de descobrir isso. Riram da coincidencia e do lapso de não terem se perguntado sobre isso antes – tantos outros assuntos e, afinal, para que saber o destino de seus passos antes de se chegar ao fim do caminho?

Tudo bem. A caminhanda, por fim, foi ainda melhor que o café. E naquela esquina se despediram “até o ano que vem”. Porém, suas palavras continuariam ecoando em todas as esquinas de seus corpos. Para sempre.

3 respostas para unending meeting

  1. Djabal disse:

    Ao ler a sua história, aconteceu algo extraordinário, creia-me. O computador passou a tocar as minhas músicas prediletas, pelos mecanismos que ele mesmo arranja e acerta; e Arvo Pärt – Spiegel im Spiegel irrompeu. E fez o fundo perfeito para as palavras descrevendo a caminhada, os planos, as pessoas, consegui ver além de ler: …suas palvras continuariam ecoando em todas as esquinas dos seus corpos. Para sempre. Para sempre. Beijos.

  2. Inagaki disse:

    Há encontros que nunca abandonam a gente.🙂 Em tempo: parabéns pelos 7 anos de blog!

  3. Nossas eras, feras e donzelas. Nossos encontros tatuados de verdade e consistências afetivas e cúmplices. Nós, eternos passageiros. Amo-te, deveras.

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