Hexa-catombe¹

 

Acostumamo-nos com finais felizes.

Anos e anos de novelas e comédias románticas: “no final o mocinho sempre vence”. O díficil é descrobrir que não existem mocinhos, ou pior: descobrir que este não é este o teu lado na história.

Ás vezes, alguém perde. Muitas vezes, somos nós que perdemos. Dói, óbvio que dói – óbvio para nós, não para o vencedor.

E as causas…  as causas são várias. Perdemos porque esquecemos de ser nós mesmos. Perdemos por falta de oportunidade, compromisso, vontade.

Perdemos porque em jogos competitivos alguém sempre perde.

Competição implica em vencedores e, necessariamente, em perdedores.

Eu conheço toda a cartilha, já a estudei de frente pra trás, mas, ainda insisto em entrar em competições. Competições que não são minhas, só para, ao final, ficar com esse sabor de ressaca de festa na boca – sem ter tido festa o que é muito pior.

Eu conheço toda a cartilha, sei como termina e sei que passa. Entretanto, entre tantos, isso não impede a dor de latejar.

A gente sabe: é só uma partida; a vida não para e o mundo – uma bola – continua a rodar.

Não importa a razão: racionalmente falando ver a Seleção Brasieira eliminada da Copa do Mundo dói. Dói bem lá onde nós, brasileiros, somos uma grande potência: na vaidade. 

¹ Título retirado do poema Copa de Carlos Alberto Muzilli

6 respostas para Hexa-catombe¹

  1. Marcio Pimenta disse:

    Sensatez e delicadeza para acalmar os ânimos de uma pátria de chuteiras com garras desgastadas

  2. Bel disse:

    Mar..
    Que saudades de vc… ler seus textos, poemas, prosas, versos e crônicas te fazem mais próxima!!! Dá a nítida sensação de que vc está logo alí…
    Amiga, vc mora no coração, manda notícia e aparece nos visitar em Londrina.

    bjsss

    Bel

  3. Djabal disse:

    De fato, uma simples partida se reveste de um valor extraordinário. A pátria em chuteiras fica agitada: triste ou alegre, por um pequeno tempo. De resto, tudo volta ao normal e parece que ninguém mais se importa. Deveríamos ter mais distância, mais calma, ignoro o porquê disso tudo. Você como sempre perspicaz e talentosa. Beijos.

  4. Com certeza uma potência! Muito mais na vaidade do que nas habilidades futebolísticas – acredito, inclusive, que isso se deva pela incapacidade dos fãs do futebol entenderem esse mundo cada vez mais globalizado, onde o intercâmbio entre times, jogadores, treinadores, inevitavelmente leva a um nivelamento das equipes. E nós continuamos a acreditar em uma coisa mágica que acomete somente os atletas brazucas… Mas que dói, dói, com certeza. Rs*
    Bjs.

  5. Parabéns pela bela metáfora.🙂

  6. Umbelino Neto disse:

    sabe, muito bom, e abstraindo a referência ao esporte, ajuda até a pensar como a gente compete na vida, nas nossas relações com os outros. e pra quê? pros nossos eguinhos coitados. e muitas vezes perdemos. “Perdemos porque esquecemos de ser nós mesmos.”

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