Despacho Poético

Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009.

Por ser sexta-feira 13 decidi despachar um poema. Chegando em uma encruzilhada vi uma mulher de branco, um homem com um bode e uma galinha preta. Vi muito de uma certa água que passarinho não bebe, farinha, algumas guloseimas típicas e outras tantas que desconheço por completo. Podre de mim! – que, diante de tantas cores e cheiros, só havia levado papel e caneta.
Minto. Levava também algum vocabulário e muito sentimento.
Tudo pronto, me sentei a espera de um poema. Esperei um pouco, mas meu poema não veio. Talvez, estivesse intimidado com o a opulência dos outros despachos.

Então, resolvi evocar sentimentos, os tantos que trazia comigo, para convencer o meu poema. E assim, fui vivenciando emoções. Chorei, ri, esperneei, vibrei e me abati. Sentei na encruzilhada chateado, quase evocando o sentimento de derrota, quando senti uma melancolia leve, e resolvi curtir esse sentimento que é tão caro a quem ama – e também a quem cria. E não é que, por estarem intimamente ligados, o amor apareceu para fazer companhia a minha melancolia.

Como quem não quer nada o meu poema foi chegando de mansinho e quando vi ele estava ali, pronto, uma oferenda ao meu Orixá.
Meu despacho, digo, poema, ficou assim:

Há muito,
procuro um sentimento que me agrade
e de santo em santo
de quizila em quizila
Fui buscando o que me faltava.
Procurei de um lado e de outro desta encruzilhada
E cada Orixá me ensinou uma parte do caminho…
Mas não houve pai de santo capaz de prever
em que conta meu destino se acertava.
Quem diria!
Sem galinha preta ou cachaça o que eu procurava me veio sem eu perceber.
Só torço para que a macumba tenha sido tão bem feita,
Mas tão bem feita,
que eu nunca mais precise me separar de você,
Amor.

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3 Responses to Despacho Poético

  1. céia musilli disse:

    Adorei o texto, poesia e prosa…Que os orixás te iluminem para continuar fazendo poemas tão bonitos assim e conservem seu amor em boa cachaça…, com velas brancas, sem galinhas..rs Um grande beijo! Saudades sempre!

  2. Djabal disse:

    A consciência do sentimento, a importância que ele tem, são os instrumentos da sua certeira obtenção. Ele não se separará de você.

  3. pedrita disse:

    na infância eu convivi com galinhas e patos, mas eram os patos que eu carregava embaixo dos braços. beijos, pedrita

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