Carta à nossa irrelevancia

“As idéias simples são em geral aquelas que causam maior impacto e interesse com um menor esforço. De fato, é fácil saber que a vida é curta. É difícil, porém, abarcar a idéia. Hoje mesmo estava falando com Júlia sobre o fato de eu não saber se de fato a poesia concreta foi mais prejudicial que benéfica para a poesia contemporânea (dado o estado da poesia contemporânea). E depois comecei a rir. Porque lembrei deste vídeo com a escala dos planetas e estrelas. Diante disso, o mais alto problema literário se dilui mais humilde que o mais humilde dos grãos de areia. O que dizer de mim, fazendo uma pergunta irrelevante sobre um movimento literário definitivamente irrelevante enquanto calço irrelevantes meias durante uma manhã de domingo?” Alessandro Martins

Essas tuas reflexões sobre irrelevância são legais para que a gente redimensione as nossas preocupações, responsabilidades… ensina a não levar coisas idiotas a sério. Contudo, isso não significa que a nossa vida não tenha importância. Ela é tudo que temos e somos: nós somos a nossa vida. E a vida é o que fazemos dela – ela não tem um sentido pronto. O sentido da vida pode estar em ler a maior quantidade de livros que conseguimos em um ano, pode estar nos beijos que damos ou nas coisas que aprendemos.

É importante fazer algo com a vida. O quê cabe a cada um descobrir. Mas eu tenho um palpite: fazer o bem aos outros e a nós mesmos – ao lugar onde moramos e as pessoas com quem compartilhamos essa vida.

No fim tudo volta ao pó, viramos novamente moléculas prestes a virar outras coisas, outros animais, plantas, pedras, coco…

Por isso, não interessa se a meia é irrelevante, o domingo é irrelevante e a poesia concreta é irrelevante.

Você compartilhou o pensamento com alguém que é relevante pra ti.
O resto é bobagem.

Um abraço

13 respostas para Carta à nossa irrelevancia

  1. tina oticica disse:

    Querida _Maga:

    Sua mensagem foi da mais alta relevância para o meu domingo e servirá para muitos outros dias. É linda e serve para muito mais que conselhos internáuticos de como baixar x, y ou z, per exemplo.
    Lamento que seu blog continue desapercebido entre os grandes blogs, mas acho que serás uma boa escritora. Se é consolo, o Poeta Laureado sempre disse que livro de poesia só vende em noite de autógrafo.

  2. Nossa… vir aqui sempre é bom, mas agora você superou as minhas expectativas dominicais aqui neste espaço.

    Você é relevante. Seus textos também o são.

    Sigo tentando fazer com que a vida seja sempre relevante.

    Beijos!

  3. Lenira Almeida Heck disse:

    Maga querida,
    Nos conhecemos platonicamente. Leio os seus comentários no site do Alessandro, considero-os interessantes. Quero parabenizá-la pelos quatro anos do seu site.
    Li o comentário do Alessandro sobre irrelevancia, considerei um tanto quanto filosófico, aliás, o nosso amigo é um grande pensador, talvez, seja isso que o torne tão especial.
    Tudo na vida é relevante. A depender do valor que atribuimos às coisas.
    Abraços

  4. pedrita disse:

    e nem sempre o que é idiota pra um é para outro. embora é um exercício dar valor ao que tem valor, se estressar menos, na prática nem é sempre assim que acontece ou conseguimos. beijos, pedrita

  5. Djabal disse:

    A nossa vida é simplesmente tudo que podemos dispor. Simples. Portanto, devemos tentar passar o tempo que nos foi determinado, e que está sujeito à chuvas e trovoadas, como as de hoje por exemplo; da melhor forma possível. Sem esbarrar em ninguém, sem permitir que ninguém nos esbarre, por mais que se tente, ou que imaginemos que seja assim. E assim teremos uma linha gostosa, e ficaremos torcendo para que ela se estique o máximo possível. O segredo é dar valor às coisas próximas, disponíveis e desprezadas. Um canto de um sabiá, um bicar de um pombo, uma flor vermelha, uma criança, nossa ou não, uma dor alheia, verdadeira ou falsa, uma afeição, um carinho e um beliscão amigo, uma película sempre nos protegerá dos imprevistos. Assim assim.

  6. A vida sobremaneira, me arrebata… Nada é absoluto e nem tampouco subsiste… sei apenas desta existência intranquila a gerar novas e imprecisas descobertas. Desconfio que nossas insuspeitas obviedades sobreviverão.

    amo-te deveras!

    gilbert antonio

  7. Olá, Maga. Papo em alto nível por aqui. Com certeza, o importante é sermos felizes, cada um com suas idiossincrasias! E no mais – ainda que o concretismo seja mesmo prejudicial, e tenha sua parcela de culpa na lama que a poesia está atolada – o resto é mesmo perfumaria.

    ps: escrevi dia desses um ensaio sobre o concretismo. Se chama Sobre a Poesia Comtemporânea. Está em meu blog, caso se interesse. Abraços!

  8. bic azul disse:

    Querida _Maga,

    Ser irrelevante é ótimo. Não saber classificar a poesia, talvez também seja.

    Assistiu “Adaptação” ? Tem uma frase muito linda, que vou citar de orelha. Diz que o mundo é tão vasto e coberto de infinitas possibilidade que, quando conseguimos amar a poucas coisas com muita paixão, a vida é redimensionada para um tamanho mais administrável.

    Claro que o Charlie Kaufman escreveu bem melhor que isso, mas com certeza você sabe do que estou falando.

    Beijos.

  9. JuJu disse:

    Geralmente, a gente fica se remoendo por coisas tão fúteis… Seria bom se esse seu post fosse fixado em cada poste de cada cidade para que todo mundo leia e pense.
    Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!

  10. Marco disse:

    Falou e disse, amiga Marcela. Somos relevantes. Sim, sei que somos. O seu texto é prova disso. parabéns. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

  11. Nossa!
    Muito bom, Maga!
    Somos a nossa vida e pensar no tamanho de tudo faz parte da nossa formação.
    Beijos.

  12. Kazuo disse:

    Ahh mais coisas irrelevantes fazem a vida valer a pena (Adidas, batatas fritas, Coca Cola…não consigo viver sem essas coisas)! =P
    Bjo!

  13. Luciana F. disse:

    Olá, vi seu blog num comentário no blog do Carpinejar. Muito interessante. Sobre a irrelevância e a perspectiva mais ampla, escrevi alguma coisinha no meu blog……Abraço!
    http://ideiasdelucianaf.blogspot.com/2007/11/window-of-possibility.html#links

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