Pelas ruas de Porto Alegre

Andar pelas ruas de Porto Alegre.
Ruas por onde Mario Quintana andou. Ou, talvez, estas sejam aquelas pelas quais ele nunca passou, ruas das moças mais bonitas e que doíam quando olhava o mapa de Porto Alegre – desenho anatômico de seu próprio corpo.
Só, brinco com a franja do cachecol enquanto ouço o barulho dos meus passos na calçada. É uma manhã de sábado esvaziada pelo horário e pela chuva, que caiu de madrugada e que ainda agora paira como uma ameaça melancólica sobre nossas cabeças.
Ando sem destino, como quem quer apenas se deixar envolver pela cidade. Às vezes, deixo-me seduzir por uma alameda calçada em pedra e rodeada por charmosas arvores. Não há nada mais charmoso que uma rua arborizada. (Channel que me perdoe, mas é verdade…).
A chuva deixou de ser uma ameaça para se tornar real. Isso exige uma medida drástica: abro a sombrinha. Bom, pelo menos até parar no próximo café, pois mal posso esperar para compartilhar com o papel as minhas felizes impressões desse momento.

18 respostas para Pelas ruas de Porto Alegre

  1. Danilo disse:

    Boas impressões! Aumentam minha vontade de conhecer o sul do país.

    Re.: Ah, tu não tens ideia de como o “sul do país” é plural! Espero que a tua vontade se torne uma viagem real por estas bandas do país… Beijos

  2. Ursula disse:

    Esse post ficou uma gostosura de ler :-))
    Beijos

    Re.: Que bom Ursula!!! Você não tem ideia do quão feliz eu estou por ler isso… Beijos

  3. Djabal disse:

    Estive em Porto Alegre faz duas semanas. Passeei por algumas ruas e tive saudades do poeta, seu quarto do hotel, de “Todos esses que aí estão
    atravancando meu caminho, /eles passarão… /eu passarinho! ”
    Agora partilhando das suas impressões, lembro-me que as minhas ruas também estavam arborizadas. Mais Saudades. Abraços.

    Re.: Que coincidência boa, Djabal!!! Acho que as nossas impressões fecham com um comercial de um supermercado lá do Rio Grande do Sul, e que pode ser visto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=K5N1HsqYFjw , é comercial, mas vale a pena… beijos

  4. Robson disse:

    Porto Alegre é uma cidade incrível. Tenho bons amigos lá. Visitei lugares bacanas, como o gasômetro e o centro cultural Mario Quintana.

    Lembro especialmente de uma rua meio PoA, meio sampa, em que o sol não chegava ao chão por causa dos prédios. Era tudo meia-luz e um silêncio grande, no meio da cidade. Pena que eu não lembro o nome da rua.

    Beijo.

    Re.: O Gasômetro conheço de outras viagens, nesta apenas passei em frente a ele, Robson. E realmente, Porto Alegre é uma cidade incrível! Eu fiquei tocada pela imagem que você descreveu… essa rua… eu senti o que você está falando… impressionante, obrigada por compartilhar as suas impressões… Beijos

  5. aecioborba disse:

    A beleza de andar tranquila em ruas assim deve ser maravilhosa… coisas que só teu papel (em bits e bytes) pode repassar…

    Mas deixa o papel de lado de vez em quando e continua andando… podemos esperar até depois que a noite voltar.

    Beijos e continue bem por aí…

    Re.: Sim, Aécio, concordo plenamente!!!! Mas infelizmente estava um pouco difícil andar com toda aquela chuva… rs. E dividir com o papel e com vocês essas sensações também trás sensações maravilhosas… Beijos

  6. Creio que hoje em dia já não reste nenhuma rua em que nosso poeta não tenha atravessado de canto a canto, observando tudo – os passarinhos, as tias velhas com seus monóculos. Ele deve andar muito por esses caminhos que em vida não fora possível percorrer em busca da poesia escondida nas pequenas coisas. Um café para anaotar tudo? Uma ótima pedida! Abraços!

    Re.: Rafael, eu adorei o seu comentário! Muito, muito, bem observado!!!!! E lembrou de um trecho de um poema dele: “Eu pensava era nos meus primeiros sapatos / Que continuavam andando, que continuam andando, / Até hoje / Pelos caminhos deste mundo.” (Quintana, O Último Poema). Beijos

  7. JuJu disse:

    Só agora é que eu pude ver a nova casa do Metamorfose Pensante. Lindérrimo!!! E com os belíssimos poemas de sempre!
    Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!

    Re.: Sejas bem-vinda, Juju! Obrigada pelos elogios🙂 Beijos

  8. Hummm… narrações poéticas nos faz viajar junto com quem viveu. Posso dizer que ouvi seus passos e a vi no café fazendo estes rabiscos. A calçada é de uma rua sem carros, cercadas de lojas e cafés. E a cafeteria que você escolheu possui cores em tons pastéis. Pediu um capucchino e enquanto permitia seus pensamentos alcançarem vôo, rabiscava muito mais do que nos mostrou aqui.

    Beijos!!!

    Re.: Ummm… sempre bom saber o que o texto pode trazer em suas entrelinhas… beijos

  9. Gostei do tom lúdico da tua narrativa, otimista, upbeat, sem perder a pose. E o final foi muio legal também, comesperança, de que precisamos todos.

    Re.: Poxa Tina… o seu comentário que me deixou up…🙂 Beijos

  10. thahy disse:

    nossa…que lindo…
    me deixa com mais vontade ainda de conhecer Porto Alegre…

    – q nome feliz, não?

    Re.: Sabe que eu também acho??? Antes de ter este nome, Porto Alegre teve outros nomes e o anterior a este foi Porto dos Casais, que também é bem lúdico, não? Beijos (Iracema… :))

  11. pedrita disse:

    nunca andei pelas ruas de porto alegre. e só de cachecol mesmo, soube que lá está bem mais frio aqui que está um gelo. beijos, pedrita

    Re.: Vale a pena a viagem, Ped´s… é uma cidade interessante… o estado inteiro é interessante, na minha opinião… Ah, deve estar frio por lá, mesmo! Beijos

  12. Momentos assim são eternos, mas pensando melhor e já citando novamente Mario Quintana: “As únicas coisas eternas são as nuvens”. Belo texto.

    Re.: Sim, Alexandre! Muito bem citado… Ler Quintana me faz bem. Um momento assim pode não ser eterno, mas a sensação que ele provocou eu espero carregar sempre… O próprio Quintana sugere isso nestes versos: “No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas/ que o vento não conseguiu levar:/ um estribilho antigo
    um carinho no momento preciso/ o folhear de um livro de poemas/ o cheiro que tinha um dia o próprio vento…” Beijos

  13. Marco disse:

    Estive recentemente em Porto Alegre. Andei pelas ruas arborizadas. Passeei pela Rua da Praia (agora, Andradas). Vi o Majestic, a Livraria Globo… Estava particularmente feliz.
    Mas não tenho o talento que você teve de traduzir em palavras aquelas sensações tão boas.
    Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

    Re.: Como é gostoso viajar por uma cidade que está “longe demais das capitais” (H. G.) e que as vezes parece só existir na literatura, não é mesmo? Érico Verissimo, Mario Quintana, Moacyr Scilar, Luis Fernando Verissimo, e tantos outros escritores, músicos poetas, fazem com que nosso passeio pelas ruas de Porto Alegre seja único… É mais ou menos como ir a Goias Velho e visitar a casa de Cora Coralina, não é mesmo? Sempre que vou a Porto Alegre sinto-me assim… e mais do que em certos lugares, parece ser nas suas ruas que a poesia toma forma… talvez por isso tanto o Mário quanto o Érico caminhavam tanto…

    Beijos

  14. Marcos Rocha disse:

    E tu não vistes, guria, o quarto onde Mário Quintana deitou (ou pelo menos uam reprodução dele, lá na casa de cultura)? E te escapastes a máquina de escrever do grande poeta? Também eu estive sobre as finas gotas porto alegrenses naquele domingo, também eu fiquei encantado com tanta cultura que a cidade cultiva como cultiva sua belas árvores: à vista de todos, nas ruas, no ar.

    Gostei do retrato das suas impressões, parecem com as minhas, eu acho. Beijos.

  15. Sentindo falta de mais percepções…

    Beijos!!!

    Re.: Eu também Márcio… Quando elas demoram pra virar palavra, sinto falta deste espaço… a desta semana demorou, mas está ai… obrigada pelo carinho

  16. “…Às vezes, deixo-me seduzir por uma alameda calçada em pedra e rodeada por charmosas arvores. Não há nada mais charmoso que uma rua arborizada.”

    Nós também achamos isso.

    Estavas te referindo a uma rua como a Gonçalo de Carvalho. Hoje, Patrimônio Ecológico de Porto Alegre depois de uma luta de 11 meses contra a construção de um edifício-garagem.

    • Marcela Ortolan disse:

      Alguns meses após receber este comentário tive a oportunidade de voltar a Porto Alegre, e fiz questão de passar pelas ruas que descrevi neste post para descobrir o nome da bela rua que me encantou. E qual não foi o meu espanto ao descobrir que a rua era mesmo a Gonçalo de Carvalho!
      Adoro coincidências. E ruas arborizadas também.

      Parabéns pelo trabalho, Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho.

      Um abraço

  17. Agradecemos pela postagem e citação feita no comentário acima. Todos nós precisamos de mais ruas arborizadas.

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