Brasília decolando

Junho 28, 2009

Já pousei e decolei várias vezes em Brasília e, em todas, não me furto a tentar divisar, pela janela da aeronave, o formato de avião que lhe deu Lucio Costa – mesmo que este preferisse que a cidade tivesse contornos de borboleta. Obviamente, não consigo adivinhar nesta profusão de nuvens e prédios o seu formato original e fico pensando se existiria um ângulo apropriado para isso. Sempre me convenço de que o plano piloto se perdeu e, então, me ponho a imaginar em que prédio, esquina ou cornubação isso teria acontecido. Às vezes sonho que o avião “Brasília” levantou vôo levando o Brasil no bagageiro e ninguém notou quando ou como – em uma provável decolagem não autorizada e sem plano de vôo.


Curitibas

Agosto 17, 2008

Histórias diversas, caminhos que coincidiram – hoje, vivem juntas. Ambas mantêm uma relação com Curitiba.
Para uma, é a capital desconhecida de seu estado. Desconhecida sim, pois, mesmo visitas esporádicas não quebraram o estranhamento do novo, construída em cima da falta de um laço afetivo. Cidade linda, de uma beleza cuidadosamente planejada que convida para um passeio e incita a um suspiro “poderia viver aqui…”. Cidade dos olhares penetrantes, dos sorrisos contidos, das amizades raras e do sotaque carregado.
Para outra, a sua ex-futura-morada. Cidade das histórias que não acabaram e dos projetos interrompidos. A idéia de Curitiba é inspiração para o seu trabalho e a traz estranha sensação do que deveria ter sido e, simplesmente, não aconteceu. Ignora a sensação de pisar em suas pedras e a conversa de seu povo. Sua arquitetura, contudo, estala na ponta de seus dedos e guia as curvas de seus desenhos.
Curitiba são duas, Curitiba são muitas. São tantas quantos a conhecem: Curitiba é a minha, a nossa, relação com ela. Italo Calvino tivesse pisado nela, também lá encontraria uma cidade invisível.
Para essas duas garotas Curitiba é um ideal distante, embora estranhamente familiar.