Cozinho uma receita sem gosto e sem graça para anestesiar a compulsão de meus dias.
Ao lado, um chimarrão que traz o amargo para a boca, tornando especial o momento certo da saudade. Saudade que sempre varia nos dizeres, apesar de o sotaque não variar.
Gosto de viajar, já declarei isso milhares de vezes. Declaro novamente. Viajar é ter oportunidade de sentir saudade do que era rotina. Viajar é sentir saudade do que ainda está por vir, da descoberta de um tempo paralelo em outra parte do planeta.
Ontem voltei de viagem, hoje é dia de esquecer com o que quase me acostumei.
É mais fácil arrumar as malas do que desfazê-las e assim também é com sonhos que depois de desfeitos trazem uma sensação de alivio tão grande que esquecemos do porque estávamos tão apegados a aquele sonho. Fazer as malas é lutar contra a sensação de estar esquecendo alguma coisa. Sonhar é lutar com a realidade.
A comida ficou pronta e a mala está desfeita. Ainda me resta este chimarrão frio para sorver um pouco desta saudade sem prazo de validade.
Novembro 4, 2009 às 12:34 am |
Realmente o mais dificil é desfazer as malas. Cada volta uma bagagem a mais. A estrada sempre está cheia de novidades. Sinto falta das paisagens que não posso simplesmente guardar e enfeitar a estante da sala.
Novembro 4, 2009 às 7:51 pm |
Você escreveu exatamente o contrário do meu sentimento.
Eu, geralmente, prefiro a hora da chegada. Para retornar ao meus pensamentos, interrompidos pela quebra da rotina. Mas o fez com delicadeza e me fez pensar em fazer uma viagem próxima para sorver ‘desta saudade sem prazo de validade’. Beijos.