Tenho as mãos frias e ainda nem morri.
Ando pelas ruas vestida com um casaco preto em pleno verão. Mesmo de olhos fechados posso sentir, pelo tremelicar da calçada, a velocidade dos carros. Vejo uma mulher varrendo e seu movimento me hipnotiza. Poucos pássaros atravessam meu caminho: neste horário eles vão se alimentar em lugares mais generosos. Presto muita atenção ao que se passa ao meu redor, pois dentro de mim não passa nada – tenho o coração vazio.
É janeiro e a cidade está toda florida, bela, como se fosse primavera. Entre as pétalas, há um filhote de passarinho caído e eu pego para aquecê-lo.
Inútil – tenho as mãos frias.
Janeiro 27, 2008 às 8:20 pm |
Texto profundo e muito belo, Marcela. As imagens que você propõe são de extremo talento. Está inspirada, heim, amiga? Aí, fica imbatível. Carpe Diem. aproveite o dia e a vida.
Janeiro 28, 2008 às 3:26 am |
Use luvas.
(E este comentário é mais profundo do que uma primeira leitura sarcástica sugere.)
Janeiro 28, 2008 às 3:39 am |
Ter as mãos frias, andar atõnito pela vida.As vezes a gente nem sente que viveu, é como se tivéssemos nascido com vendas nos olhos e nunca tivéssemos visto o sol.O melhor é mesmo usar luvas como disse o André aí de cima.Luvas,um bom copo de conhaque e poesia,muita poesia, para aquecer o coração.
Janeiro 28, 2008 às 11:18 am |
Maga
Acabei transitando pelas ruas…Me emprestaste os olhos para ver de forma irrisível estes mesmos olhares que constatam a verdade de um segundo.
Oque faremos a partir dele é de total responsabilidade nossa.
Pretenciosamente aqueço tuas mãos – não estão frias, apenas indiferentes – relatam histórias que outros não podem ou não querem ver.
Aqueço-as querendo na verdade, aquecer minha alma, na espera e no desejo que assim, juntos, consigamos viver o calor espalhado entre os dedos, os sonhos, as vontades mais loucas sem ao menos piscar, se ao menos, um dedo, mover…
beijos meus em teus sonhos primeiros.
gilbert antonio
Janeiro 28, 2008 às 8:18 pm |
Somos comandados pelo acaso. Hoje escrevi uma história e a personagem dizia que estava oca como um bambu.
Entretanto, diferentemente do acaso, as mãos frias são um bom indício. Para mim pelo menos. Sei que o pássaro se colocado junto ao peito, terá o seu calor natural restituído pelo empréstimo de um calor amigo. Bjs.
Janeiro 28, 2008 às 11:21 pm |
Gosto muito de vc Maga e de sua sensibilidade de pássaro…Adorei seu recado no meu blog , depois da minha longa pausa. No fundo, escrevo para pessoas como vc..Um grande beijo.
Janeiro 29, 2008 às 1:55 am |
que triste. beijos, pedrita
Janeiro 29, 2008 às 3:13 am |
Como sou burro pra interpretações sentimentais, prefiro acreditar que vc tomou um doce. Curti a sensação da calçada tremendo ao passar dos carros e a hipnose da mulher varrendo.
Janeiro 29, 2008 às 8:26 pm |
Maga:
Adoro seus textos. Você escreve muito bem. Fico comovida com seus textos.
Bjos
Janeiro 30, 2008 às 3:01 am |
Um conto tão frio de uma pessoa tão viva… Beijo.
Janeiro 30, 2008 às 1:32 pm |
Olá Marcela,
Correndo de página em página cheguei aqui.
Gostei da forma que escreve. Esse… sobre as “mãos frias” é muito bom.
Eu tenho um blog de microcontos… qualquer coisa.. dá uma passada lá,
Abraço,
Vicente
Janeiro 30, 2008 às 2:11 pm |
As mãos de todo mundo são naturalmente frias, porém você podia continuar tentando aquecer o passarinho. No meio do ato, quem sabe ambos, pássaros e mãos, não se aquecem?
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!
Janeiro 30, 2008 às 3:47 pm |
Nossa que sentimento de mundo mais lispectoriano! Sentir a existência lá fora e dentro frio, vazio… Tuas palavras são agulhas invisiveis e vitaliciamente penetrantes.
Janeiro 30, 2008 às 8:06 pm |
Queridíssima Maga!!!
Lindo texto!
Parabéns pelo concurso!! Bom saber que 2008 já começou tão bem para ti! MUita sorte e sucesso procê!
PS: E não suma, poramor!
Janeiro 31, 2008 às 11:14 pm |
É…esse chuvoso ‘inverno’ de janeiro tem algo a dizer nas entrelinhas…
Fevereiro 2, 2008 às 8:51 pm |
Maga, mais uma vez um belíssimo texto!
Fevereiro 9, 2008 às 10:20 pm |
Talvez tenha esquecido de levá-las até seu coração, ele aqueceria certamente por tantas emoções que demonstra aqui… Lindo texto poema! Beijos!
Fevereiro 10, 2008 às 1:39 pm |
Que belo texto, amiga… Belo mesmo. E li alguns comentários maravilhosos também. Tudo isso me fez refletir. É o que eu posso te dizer. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.
Fevereiro 13, 2008 às 5:44 am |
A andrea paccini deixou uma bela foto no meu grupo do flickr de um pássaro ou penugem; confira. Ela é fotógrafa profissional. Você perdeu a balada literária ontem?
Não voltei 100% e este botequim fecha cedo. Mas tenho um início de conto que talvez você curta.
Beijos, _Maga,
Março 3, 2008 às 2:08 am |
mto show , uma belo texto, intenso e profundo adoreiiii
da uma olhadinha no meu, somos intensos
:****
Março 28, 2008 às 2:35 am |
Marcela adorei o seu texto achei muito bonito o q vc quiz transmiti,
se o nosso coração esta frio porque nos nao podemos aquecer com outra pessoa seja ela amigo(a) ou companheiro(a). lindo mesmo o seu poema beijo e fique com DEUS.