“Às vezes fico pensando o que os “outros” fazem com os instantes vividos. Falo daqueles especiais, quando o tempo pára e a vida suspensa parece um céu estrelado, como a paz de um longo beijo. Às vezes fico pensando o que os “outros” fazem com as palavras doces, as frases de entrega, a felicidade espontânea, o afeto que ilumina.”
Célia Musilli
Há quanto tempo não sabes o que é viver um instante? Há quanto tempo simplesmente ignoras os instantes?
Eu sei, eu sei: já te entregastes em algum momento do passado com todo amor e delicadeza que havia em tua alma e destes derradeiros momentos de entrega guardas grandes cicatrizes que, às vezes, ainda doem. Nestes momentos de dor, lágrimas sinceras escorrem pelo teu rosto e descobres que ainda és capaz de chorar, mas as lágrimas que reinauguram os teus olhos ressequidos estão presas ao passado e a dor.
Sim, presas ao passado, pois, além das cicatrizes, trazes também o coração envolto em uma camada do mais duro diamante, carinho nenhum passa por este escudo de tristezas.
E é isto que fazes com os instantes vividos: os transforma em uma capa de insensibilidade, usas para esterilizar os sentimentos embrutecer o coração.
E, para não correr o risco de o diamante se quebrar, foges dos abraços, desmanchando laços antes que eles se estreitem, ficas surdo frente às palavras doces e os momentos de entrega só existem para a angustia.
Segues em um não sentir, ignorando o presente e arrastando pela vida o peso da tristeza. Acabas com os instantes para não vivê-los, transformando a existência em um bloco compacto de desespero. Por medo de sofrer, faz um pacto com o sofrimento escolhendo alimentar-se dele em intermináveis doses homeopáticas.
Com os instantes vividos fazes teu coração de pedra.
Novembro 11, 2007 às 7:47 pm |
Vc complementa a carta à sua maneira Maga.. percebo que todos nós temos em comum o sentimento exacerbado em relação à vida..coisas que nos levam ao limite a todo instante…Eu sei que dói, mas tb nã saberia viver de outro modo, o êxtase, o climax, o mergulho fazem parte da minha existencia, da nossa existência, e ninguém quer viver pela metade, não é mesmo?? rss Então, somos daquele tipo que nunca vai se recusar a viver..ainda bemmm. Beijos querida, gosto muito de falar com vc e ouvi-la tb… se um dia publicar outro livro vc não será esquecida entre as pessoas que me estimulam a ser eu mesma!!! beijoss
Novembro 11, 2007 às 11:53 pm |
Para falar a verdade, o coração se embrutece porque o homem tem medo, medo de se decepcionar outra vez… e esse medo faz a pessoa ignorar tanta coisa boa, minha gente…
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!
Novembro 12, 2007 às 1:28 am |
Texto que causou estranhamento, não sei. Acabei de lê-lo como quem acabe de ver um filme impactante, forte. Vc fica meio perdido, meio parado olhando pra a tela.
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Enviei um e-mail pra vc, não sei se recebeu. Falava sobre meu blogue novo, já que o outro foi-se…
bejo Maga!
Novembro 12, 2007 às 4:11 pm |
muito lindo. beijos, pedrita
Novembro 12, 2007 às 6:10 pm |
Uma descrição vívida do momento não vivido. Uma descrição da lágrima escorrida e da fina capa diamantina que poucos têm e quase ninguém mais vê. Muito expressivo. Dá para parar e pensar como já se falou aí em cima. Bjs
Novembro 12, 2007 às 8:02 pm |
_Maga:
Me pegou! É difícil esquecer males. Tenho um coração de manteiga, não de pedra. Não esqueço mas isto não quer dizer que não saiba apreciar o momento e a vida nova que se abriu para mim com meus amores aqui na California comigo: meu marido, meu filho aborrecente e minha mãe. Acho que cada amor deixa suas sequelas (ou não era amor) A gente vai aprendendo que a vida é boa e melhor sem rancor que feche o coração.
Novembro 14, 2007 às 3:33 am |
Corações de pedra muitas vezes guardam mais sentimentos que são mais belos e puros que os demais. Eles demonstram de forma diferente sentimentos que gostariam de extravasar. Desculpe, estou divagando…
Beijos!!!
Novembro 14, 2007 às 4:43 pm |
Olá, perdi aquele e-mail seu com os comentários sobre os porcos selvagens, pode mandar de novo?