Para 2012

janeiro 1, 2012

Que 2012 seja um ano incrível para todos.
Que a paz reine.
Que a procrastinação fique longe.
Que a esperança seja uma bussula, que o trabalho seja bem feito e gere bons frutos.
Que o ano seja pleno em alegrias e realizações.
Que os momentos de ternura sejam vastos e que a gentileza transborde nos sorrisos.
Feliz ano novo!


Os lados da moeda

dezembro 9, 2011

Tudo vai, mesmo que uma ou outra coisa insista em sempre voltar
Talvez a vida seja feita de ciclos ou uma rota incrivelmente não linear

O que você vê e como,
O que você acredita que vai, o que fica e o que volta depende mais das suas crenças
Do que do mundo, essa incrível sequência de acasos
(E isso também é um crença)

Suas ações sobre o mundo tem consequências
(grandes, pequenas, nulas ou inesperadas)
E por isso é necessário agir
Saber do importante papel do acaso não significa não acreditar na ordem
É apenas não fazer essa ordem caber em uma crença

Irracionalmente, continuo amando a vida

Mesmo quando sei da sua falta de sentido
Ou quando a culpa torna pesada a minha carga
Quando me sinto oprimida
Mesmo assim, sigo amando a vida

Se existe algo importante a ser aprendido é a
seguir sempre em frente

Vez ou outra é possível até ser feliz.


Um conselho da vovó

novembro 13, 2011

A Vovó Mimi é uma daquelas pessoas que vale a pena conhecer e trocar um dedinho de conversa. Ela não fala muito, apesar de não se furtar a dar ordens quando precisa e conselhos quando acha necessário.

Conversando com ela ouvi uma dessas histórias.

Uma pessoa da família andava bastante agressiva e vovó, incomodada com a situação, disse que ela deveria cantar. Cantar o tempo todo: ir para o trabalho cantando, tomar banho cantando, fazer o serviço de casa cantando. Se não pudesse cantar alto, que cantasse baixinho, em pensamento. O importante era não ficar pensando em coisas ruins.

Agora você já sabe: se estiver se sentindo mal, chateado com alguma coisa, de mal com alguém: cante.

Cantar não depende de religião, dinheiro ou espaço. Nem de voz precisa: cantemos em pensamento.

Viver pode ser muito melhor.

Cante, esse foi o conselho da Vovó.


Carta a um coração distante

outubro 30, 2011

Caríssimo,

Escrevo porque preciso escrever algo que talvez você desconheça. Eu mesma não sei ao certo o que é, mas sinto necessidade de escrever e assim o faço.

Começo esta carta chamando-o de caríssimo, contudo o adjetivo tanto faz, o que importa é o superlativo, afinal, tudo em você é intenso. E é a intesidade o que me encanta em você: o olhar penetrante, o riso descontraido, o pensamento profundo. Não posso esquecer do abraço que parece querer tocar o outro, puxá-lo para o seu mundo – e o mundo retribui em amigos e amores.

Já me esbaldei da sua compania e hoje, sinto dizer, tenho saudades.

Nossos encontros não são físicos: é um encontro de almas, e o brilho no olhar não deixa mentir.

As vezes penso que o amo. Muitas outras, penso que você é apenas mais uma obsessão, entre tantas.

Difícil me curar de você. Nunca tive tantas recaídas de uma mesma doença. Meus sistema imunológico se rendeu ao seu charme.

É estranho como nos apegamos as obsessões. Mais estranho ainda é como elas fazem parte de nós, e quando menos esperamos, passam a nos definir.

Já fizemos muito para nos aproximar, mas acabamos ainda mais distantes.

Não escrevo para marcarmos um encontro. Sei que só seremos possíveis em um encontro casual.

Casualmente, esta carta o encontrará.


4 e(u)stações

outubro 23, 2011

Já pensou em como o clima muda a forma como nos relacionamos com o mundo? Se são quatro as estações do ano, quatro são as diferentes formas que vivemos cada uma delas.

No outono um casaco passa a compor nossa vestimenta e pelas ruas nos pegamos hipnotizados com o movimento ritmado das vassouras que varrem as folhas que caídas das árvores.

As arvores se despedem de partes de si para se prepararem para os rigores do inverno. Nós também no depidimos de algumas das nossas caracteristicas expostas na estação anterior e ficamos mais introspectivos, mais caseiros, as palavras ganham outro peso e começamos a falar mais baixo.

O inverno chegou sorateiro na madrugada e seu hálito congelante nos impele a ficar na cama. O abraço fica mais demorado, pois juntos é mais quentinho. As rodas de converas migram em busca de sol, e os raros dias ensolarados ganham céu de brigadeiro.

O ar da estação deixa os sons mais limpos. As conversas na cozinha se estendem e ganham em profundiodade. Com sorte teremos um fogão a lenha para relembrar histórias de outros tempos reproduzindo a cena ancestral da aldeia em torno da fogueira.

Os laços se estreitam.

Amadurecemos.

Chega a primavera com sua brisa fresca e renovadora. Nós ficamos mais leves sem tatna roupa, as janelas se abrem e nelas se penduram cobertores e tapetes, todos querem aproveigtar a dadiva dos generosos raios de sol.

As ruas se enfeitam de flores e a cidade se enche de um bururinho alegre de novidade.

No verão os dias são mais longos, tomamos conta da rua. O riso flui mais solto e nós ficamos abertos para fazer novas amizades. As chuvas convidam para um banho.

Com rouopas leves redescobrimos o próprio corpo, andamos saltitando e o clima convida para dançar. As tardes de calor são tomadas pelo canto das cigarras.

Assim, somos camaleões, e vamos aprendendo a variar. Aprendemos a observar a natureza e esperar o seu tempo. Quando o clima toma conta da nossa vida ela se diversifica e nos tornamos personagens criativos moldados pelo calendário.


Carta a um coração sem perdão

outubro 16, 2011

Diz o poeta “Quem fala primeiro diz a verdade”. Fico quieta porque não quero essa verdade para mim.

Se você quiser dar a sua versão dos fatos, fique a vontade. Não desejo a responsabilidade de fazer com que alguém se posicione de um lado dessa história às custas da minha habilidade em amarrar as palavras.

Prefiro aparecer como vilão em sua narrativa a inventar um vilão para contar a minha versão.

Eu sei o que aconteceu e você também sabe. Não tivemos uma razão plausível para brigar, mas agora cada um tem razões de sobra para se sentir magoado.

O momento me leva a pensar que a dor é eterna; o Budismo me ensinou a ter paciência que tudo passa. O cinema insiste em dizer que existem mocinhos e bandidos, a vida me mostra que tudo é contexto, que nem vilões nem heróis existem e que tudo é  uma questão de como se narram os fatos.

Poderia aproveitar para pedir desculpas agora, mas já o fiz uma vez e, frente aos resultados, prefiro destilar essa mágoa até a dor passar.

Ela vai passar, e a minha alegria, que tanto lhe incomoda, vai continuar a transbordar em qualquer direção a despeito dos seus ovidos.


Psicologia, um outro porquê

agosto 30, 2011

“- Por que você fez psicologia?”
“- Porque gosto de viver perigosamente.”

Esta é uma da muitas respostas que você pode ouvir ao fazer-me a pergunta acima. Em seguida, após observar sua cara de espanto e incompreensão vou dizer um “estou brincando”, e lhe contar uma história mais plausível e real dos motivos que me levaram a escolher esse caminho. Contudo, nem por isso, deixo de considerar que ser psicóloga é uma forma de viver perigosamente. E quando digo perigosamente falo em muitos sentidos.

Os riscos mais reais estão ligados a clientes perigosos cara-a-cara com você em uma salinha reservada, tratando de assuntos explosivos. São familias complicadas fazendo diversos tipos de ameaças. São clientes e familiares tentando seduzi-lo a conclusões errôneas, mais convenientes com a manutenção de suas vidas doentias. Isso mescaldo por ameaças trabalhistas; chefes que não sabem para que serve o seu trabalho; os erros a que pode incorrer no exercício da sua profissão e todos os dilemas que provém do medo de comete-los.

Outros perigos são ainda menos objetivos – são caminhos tortuosos que um psicologo percorre sozinho. Os psicologos usam de teorias para olhar o mundo de uma forma incompreesivel para a maioria dos outros humanos. Outras profissões podem afirmar o mesmo dentro de suas areas de atuação, e admiro-as por isso. E na faceta que cabe a psicologia é aquela tentativa sincera de compreender o humano, abdicando ao moralismo e ao misticismo. Quando um psicólogo consegue fazer isso, ao menos em parte , ele compreende as infinitas possibiliades de uma vida melhor que pequenas mudanças de comportamento podem acarretar e se sente impotente com seu trabalho de formiguinha com a sua ciência ainda tão nova e ainda com tanto a descobrir, compreender e produzir.

Ser um psicologo, pelo menos para mim é sentir a riqueza e as possibilidades do mundo que uma compreensão profunda do humano proporciona e sofrer por não conseguir compartilhar isso com mais ninguém. Eu sei que este relato está parecendo pura arrogancia, mas hoje é 1º de maio, dia do trabalho e eu precisava fazer esta declaração de amor a minha maltrada profissão.

* Este texto foi escrito em um primeiro de maio perdido nos anos, durante uma conexão no aeroporto de Brasilia. Resgatei ele agora, aproveitando que o dia do Psicólogo foi 27 de agosto.


“Wonderful” uma palavra para a vida

agosto 18, 2011

Acredito ter ouvido, há alguns anos, uma história que muito me tocou, mas que, para lembrar desta, conto apenas com a minha memória. Inicio o texto com esta ressalva porque citarei pessoas reais. De toda forma, mais importante é o que ela representa.

Anos atrás vi uma palestra com a Dra. Julie S. Vargas, filha de Skinner. Era um congresso em que, além das atividades acadêmicas, comemorava-se os 100 anos do nascimento deste grande psicólogo. Na sua apresentação, Dra. Julie contou algumas histórias de seu pai, inclusive as condições de sua morte. Todos sabíamos que Skinner, doente terminal de leucemia, trabalhou em um artigo até o dia anterior a sua morte e, uma semana antes, havia se apresentado na Associação Americana de Psicologia. Nós tínhamos conhecimento dos dados acadêmicos, por assim dizer, o que teria se passado em sua vida pessoal não nos pertencia.

Dra. Julie generosamente contou-nos o que havia se passado. Com emoção, compartilhou a sua última lembrança de seu pai. Segundo ela, pouco antes de morrer ele lhe pediu um copo d’água, bebeu, e depois exclamou: “Wonderful” (maravilhoso).

Skinner morreu aos 86 anos. Depois de tanto vivido, chegou ao final e ainda se encantou com a vida, se encantou com a simplicidade de um copo d’água.

Isso me tocou profundamente. Desde então os meus objetivos de vida são perpassados pelo pensamento de poder chegar ao final e dizer com sinceridade: maravilhoso.


Uma lição de carinho

agosto 1, 2011

Alguns anos atrás, enquanto caminhavamos, meu pai me contou o seguinte:

“Sabe, quando você e as suas irmãs eram pequenas era muito bom. A gente trabalhava muito, e as vezes chegava bem cansado e chateado do trabalho, mas lá estavam vocês precisando da gente. A gente cuidava, brincava e era outro mundo.”

Quando ouvi essa história meus olhos encheram d’água. Na verdade, hoje ao conta-la aqui, meus olhos marejaram novamente.

Ternura foi o sentimento que me inundou quando entendi o amor que meu pai sentem por nós, suas filhas. Até então eu nunca havia compreendido o que leva uma pessoa a ter filhos, já que estes se resumiam apenas a mais trabalho e desgostos.

Ao compartilhar essas palavras, o que meu pai ensinou foi humildade áquela adolescente blasé que as vezes pensava saber demais.


Créditos

julho 17, 2011

Hoje eu queria agradecer a todas as pessoas que me ajudaram.
Não, não vou nomea-las aqui, pois nem eu mesma lembro de todas elas e suas ações anônimas.
As pessoas que me ajudaram são todas aquelas que em algum momento me contemplaram com seus gestos e palavras, mesmo que sua intenção, afinal, não fosse me ajudar. Eu agradeço mesmo assim.
Agradeço pois sei que se não fosse pela ajuda delas eu teria desistido da vida a muito tempo. Isso mesmo. Não sei se você notou, mas viver é muito, muito difícil. Difícil e doloroso quando não temos ajuda.
Agradeço a todas as gentis palavras e a toda paciência. A toda passagem aberta e a qualquer sorriso amigo. Agradeço a mãos dadas, aos ombros oferecidos e aos exemplos que muito me ensinaram. Agradeço as críticas que me fizeram melhorar ou desistir de projetos sem futuro. Agradeço a cada oportunidade e ao trabalho que realizaram e que, no fim, me beneficiou de alguma forma. Agradeço a você que me lê e a você que me entende. Agradeço àqueles que tive oportunidade de ler.
Agradeço a todos aqueles que os bons frutos da sua existência chegaram até mim e me proporcionaram sentir essa imensa gratidão por estar viva que me acompanha pela vida a fora.

Agradeço-os sinceramente.

Obrigada.


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